Resenha – Karen
por Juliana Costa Cunha
em 15/10/18

Nota:

 

Acordamos junto com Karen numa cama, com alguns ferimentos e uma memória fragmentada dos acontecimentos.

De acordo com a sinopse do livro tudo pode ser uma alucinação. Talvez provocada pela queda que Karen sofreu ao tentar atravessa uma cachoeira. Ou será que Karen faz parte de uma trama diabólica? Outras pessoas podem pensar que este é um livro de suspense ou policial, quem sabe?! E talvez por isso, muitas pessoas tenham se decepcionado com a leitura. Eu entendo. Karen é um livro de opiniões “gostei” e “não gostei”. Eu sou da turma do gostei. E digo que gostei bastante.

Entendo as pessoas que se frustaram com a leitura, procurando algo de suspense ou policial na narrativa como sugere a sinopse. Entendo por que pra mim não teve nada disso no livro. E é muito ruim mesmo quando vamos pela informação que o livro traz e nos deparamos com outra coisa (aliás isso é muito comum, né?)

A autora portuguesa, Ana Teresa Pereira, ganhou o prêmio Oceanos de 2017 com Karen. Nele ela nos apresenta uma história com aspectos contemporâneo, porém num cenário bucólico, frio e onírico. Muitas vezes durante a leitura me senti num filme de David Lynch. Karen, segundo lhe contam, sofre um acidente ao tentar atravessar uma cachoeira e fica sem memória. Ou se lembra pouco das coisas. Ou será que é tudo um sonho? Ou talvez uma vida que foi deixada para traz?

Para mim este livro, e seu grande mistério, consiste naquele momento em que paramos para refletir sobre as nossas vidas. Como era, como se tornou e como tem sido. Karen, em meio a lembranças ou sonhos ou devaneios, começa a questionar sua vida. Do momento em que conheceu seu marido, de como as coisas foram se transformando, do que ela foi deixando para traz e, por fim, como talvez foi se transformando em outra pessoa que, de uma hora para outra, tem saudade do que já foi.

Quando eu terminei a leitura as perguntas que ficaram me rondando foram: Quantas vezes nos perdemos em nossa caminhada? Quantas vezes nos deixamos perder? Quantas vezes deixamos que nos façam nos perder? Quantas vezes queremos voltar atrás? Quantas vezes deixamos que nos digam quem somos? Quantas vezes acreditamos no que dizem que somos?

Talvez esse seja o grande mistério do livro.

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O livro foi enviado pela editora Todavia

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