Resenha – Kiwi
por Juliana Costa Cunha
em 12/11/18

Nota:

O dramaturgo Daniel Danis, nascido no Canadá em 1962, é um dos escritores canadenses mais premiados de sua geração. No Brasil, Kiwi é seu primeiro texto, traduzido por Luciano Maza que é diretor do espetáculo de mesmo nome (o texto é uma peça de teatro). Eu não conhecia Danis. Não sabia de sua escrita, nem de seus prêmios. Fico grata à Editora Benfazeja por ter me enviado este exemplar, que faz parte de sua coleção Drama Tempo.

Em Kiwi, acompanhamos a história de uma menina que foi abandonada numa praça por seu tio, após uma ação de despejo para que no local onde moravam diversas famílias fosse construído um parque olímpico. Esta cidade onde se passa a história não tem nome e durante toda a narrativa aparece apenas como pano de fundo para a história. Em Kiwi o foco do autor está em seus personagens e suas vivências.

A menina abandonada na praça é acolhida por um grupo de crianças e adolescentes que vivem juntas. Passando a viver com este grupo, a menina ganha o nome de Kiwi (todas as personagens tem nome de frutas ou legumes), devendo com isso esquecer sua antiga vida e, mais que isso, sua identidade para ser aceita pelo grupo.

Kiwi então passa a se relacionar afetivamente com Lichia, que a vai iniciando nas peripécias da sobrevivência em condições tão adversas. Começamos a nos deparar com cenas de roubos, violências, uso de drogas, iniciação sexual e prostituição infantil. Todas estas questões sociais são relatadas com muita sensibilidade pelo autor, mas sem receio de expor as mazelas sociais e as dificuldades que passam crianças e adolescentes que não possuem condições dignas de sobrevivência.

Assim que li a sinopse do livro, achei que a história se passava no Brasil e mais especificamente no Rio de Janeiro, considerando-se tantas tristes coincidências. Ao longo da leitura, por várias vezes, me vi lendo a orelha do livro ou a sinopse na contra capa, tentando situar a história geograficamente. Não tive sucesso. A única coisa que me fez perceber que a história não se passa no Brasil, que aquelas questões sociais não são nossas, é a passagem do tempo na narrativa, pontuada pelas estações climáticas. As personagens passam muito frio, festejam a chegada do sol, relatam as folhas que caem das árvores e as novas flores que vão surgindo. E assim a vida delas segue.

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O livro foi enviado pela editora Benfazeja

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