Resenha – Laços
por Juliana Costa Cunha
em 11/06/18

Nota:

Escrito pelo italiano, nascido em Nápoles, Domenico Starnone, “Laços” é um livro potente.  Atualmente o autor foi “acusado” de ser a Elena Ferrante. Não, pera, ser casado com a Elena Ferrante. Ou será que é casado com a pessoa que escreve sob o pseudônimo da Elena Ferrante? Bom, não sei… são muitas as conjecturas em torno deste autor e da Ferrante. O que sei é que  o Domenico escreveu um livro que gostei muito e que tem como pano de fundo o incrível poder destrutivo das relações familiares (mesmo que as famílias não admitam isso) e as diversas tentativas de reconciliação entre os membros de uma família  (mesmo que esses membros nunca admitam que essas reconciliações sejam necessárias).

Laços é um livro fininho, ao todo são 142 páginas, nas quais vamos acompanhando a vida de Vanda, Aldo e seus dois filhos. A obra é dividida em três tomos: no primeiro temos a versão da mulher; no segundo a versão do homem; e no terceiro a dos filhos. Todos mostram seus pontos de vista a partir de um mesmo tema: o processo de separação e reconciliação do casal.

Desta forma, no primeiro tomo temos Vanda em completo desespero por se ver abandonada por seu marido que decidiu viver uma aventura amorosa com uma garota mais nova, da forma mais egoísta possível. Através das cartas que Vanda escreve ao marido, acompanhamos seu desespero, sua solidão, sua incompreensão diante dos fatos, sua total falta de respostas às cartas que envia. É uma mulher abandonada por seu marido, da forma mais clássica que possa existir. E também uma mulher sem emprego e com dois filhos para criar, sem qualquer ajuda, financeira ou emocional deste homem que a abandona. Vanda vai aos limites de sua existência.

O segundo tomo nos apresenta a narrativa sob a perspectiva de Aldo, com o casal já reconciliado. Porém, Aldo nos relata tudo o que ocorreu naqueles anos de separação e nos apresenta seus motivos para abandonar o lar em prol de viver sua aventura amorosa. Ficamos sabendo que Aldo realmente se apaixona pela garota mais nova. E que também sofre suas crises existenciais por não estar mais próximo aos filhos. E que também passa por seu processo de insegurança enquanto homem que namora uma garota mais jovem e nisso, pensa em voltar pra casa. Aldo foi um sacana e um egoísta ao extremo (desculpem mas não tive empatia nenhuma por ele!)

Os filhos de Aldo e Vanda aparecem durante as duas primeiras partes do livro como coadjuvantes da situação do casal. Em dado momento são aqueles que foram abandonados pelo pai. Em outro são aqueles que são manipulados pela mãe para se afastarem mais ainda do pai ou utilizados por essa mãe como massa de manobra para a reaproximação do casal. É apenas no terceiro tomo que estes dois filhos, um menino e uma menina, tomam forma e passam a ter voz. Os pais saem em férias e deixam o apartamento e o gato aos cuidados deles. E é nesse momento que os filhos tem a oportunidade de expressar seus sentimentos para com os pais, tudo o que vivenciaram ao longo dos anos de separação e reconciliação. Especialmente a fala e atitudes da menina me deixaram muito impactadas.

O final foi um soco para mim. Confesso que não esperava algo tão visceral, porém tão compreensível. Acho que a história narrada neste livro pode até ter um mote clichê. Mas a forma como ela nos é contada, sem meios termos ou arestas das emoções de cada personagem, nos traz empatia. Acho que este é um livro que vai agradar aquelas pessoas que gostam de uma boa leitura. Mas, principalmente, acho que é um livo que deve causar muita empatia nas pessoas com histórias familiares semelhantes. E depois que terminar a leitura vão ficar com ela ruminando por dias…

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Este livro foi enviado pela Editora Todavia

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