Resenha – Lemmy – A biografia definitiva
por Juliana Costa Cunha
em 22/08/18

Nota:

 

Lemmy nasceu Ian, Ian Fraser Kilmster. Recebeu o apelido de Lemmy ainda na escola. E ao longo de sua vida Lemmy, seria maior que qualquer outra coisa à qual se propôs a fazer. Que algumas pessoas podem considerar muito pouco. E outras, como eu, podem dizer, “Lemmy era o Motörhead, porra!”

A biografia de Mick Wall, um cara que esteve lá desde o princípio, é bem bacana. Te coloca conversando com Lemmy e os demais entrevistados pelo autor para compor este livro. A narrativa é toda costurada por conversas travadas ao longo dos 35 anos de amizade. O autor é conceituado na cena musical britânica, ex editor da Revista Classic Rock. Tem diversos documentários sobre música lançados e outras tantas biografias sobre as banda de punk e rock de sua geração. Suas obras sobre Metallica e Iron Maiden já passaram pelo Poderoso. Mas claro, como todo biógrafo, não é unanimidade. Sua biografia sobre o Black Sabbath deixou os fãs enfurecidos (preciso ler esta ainda).

Mick conversou com muitas pessoas para escrever Lemmy – a biografia definitiva. Todas relatavam suas loucuras, as toneladas de Speed tomadas por ele, bem como a quantidade de álcool ingeridas. Falaram também de seu humor ácido, sua inteligência, de sua solidão, do grande coração que ele tinha (pasmem!) e do único modo que ele tinha de viver, a música. Mais especificamente o Motörhead.

Nascido para perder, viveu para vencer. Este é o lema de Lemmy Kilmster. Ele nasceu com um tímpano perfurado (será por isso a potência do som em seus shows?!) e coqueluche, sendo rapidamente desenganado. Mas sobreviveu. Começou tocando guitarra de forma autodidata. Foi apenas em sua primeira banda, a Hawkwind, que começou a tocar baixo sem saber tocar esse instrumento. E foi daí que nasceu uma de suas originalidades, tocar baixo como se fosse uma guitarra base.

Numa das passagens do livro há o relato do tempo em que Lemmy foi road de Jimmi Hendrix e segundo suas palavras “ninguém antes sabia que a guitarra poderia ser tocada daquele jeito”. Além de Hendrix, a biografia traz o assombramento de Lemmy com o surgimento de Chuck Berry e dos Beatles que, segundo ele, “eles mudaram tudo. Não só o rock, mas a vida, o universo e tudo. Depois deles, ninguém mais foi o mesmo, jovens e velhos, cantores e políticos, atletas e atores. Todo mundo” (eu não sou da turma dos Beatles, mas entendo isso que ele diz).

A trajetória do Motörhead não foi fácil. Imagina uma banda com Lemmy, Larry Wallis e Phil Taylor? Todos na potência máxima do sexo, drogas e rock and roll. “On Parolle”, de 1975, é o primeiro disco da banda. Ficou no limbo por muito tempo. O motivo? Era um som mais metal do que o Led Zepellin e era punk, antes do punk existir. As pessoas não entendederam…

Eu, que sou apenas amante da música, sempre tive essa sensação com a banda. É punk. E foi uma feliz descoberta ler vários trechos onde Lemmy fala desse desejo dele de descolar a banda do Metal. Em 2009 eu tive a linda oportunidade de assistir Lemmy no palco. Festival Abril pro Rock e lá estava ele: botas brancas de couro, calça e camisa pretas, aquele sinto largo de balas, o chapéu… e mais que tudo, uma potência absurda no som. Um volume tão alto, mas tão alto que passei uma semana com um zumbido nos ouvidos e a sensação de ter assistido um clássico!

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Livro enviado pela editora.

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