Resenha – Linha M
por Bruno Lisboa
em 04/05/16

Nota:

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Dona de um carreira impecável no universo da música, Patti Smith é dona de uma discografia impecável com discos clássicos e elogiados (Horses, Radio Ethiopia, Gone Again, Gung Ho, a lista segue…) pelo público e crítica.

Porém, não é de hoje que a compositora se aventura no universo da escrita já que desde 1972, Patti divide suas composições entre discos e livros de poesia, que encantam pela beleza e plasticidade. Desde 2010, a cantora tem dedicado a atenção a rememorar sua vida. A saga iniciada com o soberbo livro de memórias Só garotos ganhou continuidade com o recém lançado Linha M.

Se na obra de 2010 Smith relembra, de modo cronológico, o início de carreira e presta homenagem a Robert Mapplethorpe (falecido artista e grande amigo da compositora), em Linha M a escritora centraliza sua escrita em relatos de viagem. Ilustrada por fotografias próprias, a narrativa é dividida em capítulos onde a cantora cria, de modo onírico e poético, uma ponte entre o presente o passado.

Entre idas e vindas ao seu “escritório”, o extinto Café Ino em Nova Iorque, Smith descreve de maneira fascinante suas inúmeras viagens pelo mundo que, geralmente, objetivavam o encontro com os seus ídolos (em sua maioria já falecidos) ou traçar os caminhos pelos quais os mesmos percorreram. Assim temos livre acesso a suas visitas a túmulos de artistas como o do cineasta Akira Kurosawa no Japão, a poetisa Sylvia Plath na Inglaterra, ao de Jean Genet no Marrocos  ou até mesmo a famosa Casa Azul no México (residência de Frida Kahlo e Diego Rivera), entre tantos outros lugares, que revelam um tanto quanto de sua personalidade e de como ela busca de maneira insaciável a inspiração.

Sem temer fantasmas ou até mesmo temas ardilosos, a autora fala de modo aberto e comovente de seu marido (o guitarrista Fred “Sonic” Smith), companheiro com quem teve um casal filhos (Jesse e Jackson) e de seu irmão Todd, falecidos em 1994. Ambos foram fonte torrente de inspiração para o seu trabalho e sinalizam uma das marcas mais resilientes ao trabalho da cantora: transformar a melancolia e a tristeza em algo belo e memorável.

Sua vida solitária e errante é preenchida pela paixão declarada e irrefutável à literatura (Patti é leitora compulsiva), à fotografia, aos seus gatos, ao café, o seu bangalô em Rockway Beach (EUA)  e também por séries policiais como The Killing, C.S.I. Miami, Law & Order, predileções que revelam inclusive um desejo contido: ser detetive. 

Por fim, é inevitável a comparação entre Só garotos Linha M. Se o 1º transborda em emoção, no segundo a mesma surge de forma abstrata, criando certo distanciamento. Mas isto não impede o deleite que é acompanhar em vida a história desta grande figura humana chamada Patti Smith.

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O livro foi enviado pela editora. 

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