Resenha – Magnéticos 90
por Bruno Lisboa
em 13/03/19

Gabriel Thomaz é um dos maiores exemplos de resistência quando o assunto é a música independente dos anos 90 para cá. Seja com Little Quail and the Mad Birds (sua primeira banda) ou com o Autoramas, sua trajetória acaba por ser especular, a cena musical nacional que saiu das amarras das grandes gravadoras, dando lugar a um mercado independente que anualmente, desde então, segue em franca expansão.

Desenvolvido em parceria com Daniel Juca, em Magnéticos 90 Thomaz conta a sua própria trajetória a partir da adolescência vivida em Brasília, período em que desenvolveu a sua paixão pela música e o desejo de seguir a profissão.

Utilizando os quadrinhos como suporte, a história, essencialmente, é contada pela ótica de Thomaz. Partindo de uma série de acontecimentos vividos nos anos 90, o autor perpassa de forma abrangente o cenário musical independente brasileiro, que tinha como elemento comum a utilização da fita cassete como suporte de divulgação de álbuns, EPs e fitas-demos. O autor, aliás, é um colecionador voraz deste formato.

Outro fator interessante presente na obra é o mapeamento de diversos fanzines (revistas feitas também de forma independente) que serviram como suporte de divulgação de muitas bandas que, por vezes, construíram suas carreiras a partir do boca a boca e de matérias publicadas em revistas especializadas. A internet, hoje principal meio de exposição, ainda engatinhava em solo nacional.

Lançado em 2016, Magnéticos 90 pode servir de leitura acessória à bio do Planet Hemp (já resenhada aqui), pois imerge na mesma cena e traz também muita informação sobre a época que, até hoje, reverbera nos ouvidos daqueles que asseiam ouvir boa música.

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