Resenha – Mãos Livres
por Bruno Lisboa
em 31/05/16

Nota:

maoslivres

 

Nascida em São Paulo, Francine Campos tem como vocação direta a medicina (a Pediatria para ser preciso) e divide seu tempo entre plantões e a vida doméstica. Porém, desde a adolescência a autora dedica-se a escrita, paixão esta reflexo de sua paixão pela literatura. O resultado desta longa empreitada está presente em Mãos livres, seu livro de estreia lançado pela Chiado Editora – que chegou ao Brasil a menos de 2 anos com uma proposta peculiar para o mercado: trabalhar com autores desconhecidos em um formato que beira a autopublicação (a editora explica que há uma curadoria do que é submetido). Além disso, os livros são publicados simultaneamente no Brasil e em Portugual.

Estruturado em contos e crônicas, a obra é distribuída em 70 páginas onde Francine verbaliza, de modo fabulizado e pessoal, o quotidiano, abordando-o de modo livre e poético.

Alternado entre a primeira e a terceira pessoas, a autora opta por um olhar oscilante (ora masculino, ora feminino) e aborda temas diversos como a morte, maturidade, a maternidade e paternidade, e promove o ode ao amor em suas mais variadas formas (fraternal, à literatura, à amizade, aos filhos…). Por mais que a abrangência temática possa indicar certa disparidade, os textos tem como elemento comum o olhar agridoce para com a vida, marca esta que reserva emoções diversas ao leitor.

Suas influências são expostas através de breves citações que surgem na abertura de alguns capítulos. A partir delas é possível perceber a sua predileção por ícones literários da ala nacional (de Clarice Linspector a Mario Quintana), mundiais (Fernando Pessoa, Victor Hugo e Oscar Wilde) e musicais (Nando Reis, Djavan, Alicia Keys).

De maneira geral, a obra em si agrada como um todo graças a doçura e leveza impressas, mas tropeça ao promover o uso de uma linguagem rebuscada por demais em determinados momentos. Outro porém é a previsibilidade de alguns textos devido a utilização de clichês literários. A fusão de ambos podem distanciar, respectivamente, o leitor comum e o mais exigente. É esperado que com o tempo Francine consiga amadurecer ainda mais sua escrita. Potencial ela tem.

Para conhecer ainda mais o trabalho da autora e acompanhar seus próximos passos vale a visita no blog pessoal da autora.

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O livro foi enviado pela autora.

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