Resenha – Meshugá
por Juliana Costa Cunha
em 05/08/19

Nota:

Meshugá é uma palavra hebraica que, traduzida para o português, significa louco. E a loucura é um tema que sempre me atrai. Então, quando topei com este livro do Jacques Fux, não pensei duas vezes em ler. Até porque, topei também com uma entrevista dele onde dizia que colecionava loucos ao longo da vida. Que, sempre que tinha conhecimento de uma história de alguém que tinha agido de forma meio irracional guardava ela, achando que em algum momento lhe seria útil.

Daí que o autor faz um apanhado de histórias de personagens reais, de pessoas que alcançaram a fama ou alguma notoriedade devido às suas atividades, de pessoas com mentes brilhantes (mas que em algum momento perderam o link com a realidade). E todas estas pessoas tinham em comum ser judeus.

É assim que Fux nos conta a história (real e fantasiada por ele) de: Sarah Kofman, Woody Allen, Ron Jeremy, Otto Weininger, Grisha Perelman, Grisha Perelman, Daniel Burros, Sabbatai Zevi. São personagens reais, com suas vidas e dores reais, misturadas à ficção criada pelo autor.

Entre uma história e outra, Fux insere capítulos que narram passagens históricas do século XIX e XX, nos quais outras figuras renomadas (ou nem tanto) discutiam e afirmavam o caráter inerente de loucura ao povo judeu. Aqui também nos deparamos com o real e a ficção. Ou seja, muitas das “teorias” sobre a loucura inerente ao povo judeu e outras questões relatadas foram criadas de fato. Outras, na costura do autor, são criadas por ele. Fazendo um jogo muito tênue entre o real e o inventado.

O livro passeia por isso. A fronteira entre a insanidade, a ficção e a realidade. Embora a forma narrativa do autor seja extremamente fluida (li o livro muito rápido), é preciso que seja uma leitura atenta para não cair nessas armadilhas ficcionais impostas pelo autor. Então, não posso dizer que essa fluidez faz a leitura ser fácil, ou simples. Não é! E acho que o autor ousou muito nisso, pois pode (e já deve ter sido) muito mal interpretado. Há uma ironia em cada linha escrita que, não sendo bem compreendida como tal, pode gerar um problemão.

Fux consegue imprimir ritmo e confusão. Qualquer leitura descuidada pode ser uma loucura. Assim como é loucura ler todas as loucuras que já foram ditas e feitas contra o povo judeu. Todos os estereótipos estão postos neste livro. E acho que uma das reflexões propostas pelo autor é: quanto desses esterótipos, dessa ridicularização, desse preconceito expõe o povo judeu à meshugá?

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

2 Comentários em “Resenha – Meshugá”


Avatar
Jacques Fux em 09.08.2019 às 07:42 Responder

Muito bom! Obrigado pela leitura e pela resenha. Sucesso. abraços

Avatar
Juliana Costa Cunha em 11.08.2019 às 16:47 Responder

Nós que agradecemos!


 

Comentar