Resenha – Mick Jagger
por Bruno Lisboa
em 17/02/16

Nota:

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Mick Jagger dispensa apresentações. Tido com um dos maiores artistas de todos os tempos, Jagger conquistou ao longo de décadas prestígio e fortuna a frente dos Rolling Stones, para muitos a maior banda de rock de todos os tempos. Sua vida pessoal, por sua vez, obteve a mesma projeção midiática graças a inúmeros escândalos relacionados a sua extensa vida amorosa, ao uso de drogas e o não pagamento de impostos. E para trazer à tona toda a saga deste grande ícone, a biografia de Philip Norman serve como referência.

Ao longo de 600 páginas, Norman descreve reverencialmente a vida de Mick que de maneira geral foge do habitual ao universo do rock. Oriundo da classe média/alta britânica, Jagger frequentou as melhores escolas locais, conquistando inclusive premiações de destaque por onde passou. A boa vida e educação,  proporcionada graças ao trabalho árduo de seus pais, fez com que ele fosse um garoto modelo para seu irmão mais novo e para os colegas de sala. Porém, a pose de bom moço seria mudada drasticamente a partir do momento em que Jagger descobrisse e se apaixonasse pelo universo da música.

O blues e o rock americano, que na época começava a engatinhar graças a figuras como Chuck Berry e Elvis Presley, foram os chamarizes para que Jagger manifestasse a intenção de seguir carreira como músico. Após inúmeras tentativas e formações, o cantor encontrou em Keith (um amigo de infância que iria encontrar somente anos depois) e em Brian, um multi-instrumentista amalucado, o alicerce para a formação da banda que mudaria o mundo para sempre: The Rolling Stones.

De forma abrangente o autor percorre toda a trajetória do grupo, partindo do início tortuoso relacionado a busca por uma identidade própria (a banda ainda não tinha repertório autoral nos anos iniciais), do seu público, a sua aceitação em tempos nos quais homens cabeludos, maltrapilhos e hedonistas eram vistos como péssimos exemplos para uma sociedade que ainda não os tolerava, os hostilizava e os perseguia, até a chegada dos anos dourados quando tornaram-se um das melhores, mais influentes e bem remuneradas bandas do mundo.

Não se atendo somente ao artista homenageado, o autor promove ao longo da obra um olhar minucioso não só para com o artista homenageado, mas em mesma medida, chama a atenção ao que acontecia no mundo, época de profundas transformações sociais.

Norman também dá crédito a pessoas como os já citados Keith Richard (na época grafado sem o S), Brian Jones, mais James Brown (o icônico cantor soul), Andrew Loog Oldham (primeiro produtor e empresário dos Stones), entre tantos outros, que de maneira substancial (cada um a seu modo) influenciaram Jagger para que ele construísse a sua persona: um autêntico malandro, capaz de aparentemente tudo (inclusive de enganar a receita federal e a justiça quanto ao uso de drogas), mas centrado e dedicado a sua profissão.

Sua invejável vida amorosa, como não poderia deixar de ser, ocupa grande parte da obra. Como um verdadeiro Don Juan da vida real, Mick teve muitos relacionamentos. Numa lista quase que infindável de beldades, estrelas do quilate de Carla Bruni, Angelina Jolie, Marianne Faithfull, a modelo Jerry Hall,  foram algumas que acabaram por render aos seus encantos. Até mesmo a velada bissexualidade de Jagger aqui surge sem receios. Tantas aventuras acabaram por render 7 filhos e várias batalhas judiciais relacionadas a pedidos de pensão.

Por mais que muitos dos fatos ilustrados no livro sejam de conhecimento da maioria, Mick Jagger, o livro, é um deleite não só para aficionados por música. O mesmo serve de base para compreender não só o homem que mudou o universo da cultura pop, mas também traz em si um painel fidedigno efervescente século passado.

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O livro foi enviado pela editora.

 

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