Resenha – Milton Nascimento e Lô Borges – Clube da Esquina
por Juliana Costa Cunha
em 28/10/19

Nota:

O Clube da Esquina é uma junção de pessoas em torno da amizade e do afeto. Um grupo de músicos que se reunia numa esquina ou no apartamento da família Borges, e que tinham (tem) em comum uma forte amizade e a paixão pela música.

Neste livro, Paulo Thiago de Melo, nos apresenta a versão (ou as várias versões) para a formação deste “clube”, que nunca desejou ser um movimento, e que tinha Milton Nascimento como pessoa fundamental no processo. Foi Milton que juntou todo mundo, depois de assistir a um filme do Truffaut – Jules et Jim. Ele e Márcio Borges, que já havia tentado por diversas vezes que Milton compusesse, se trancaram num quarto e compuseram diversas músicas que depois passaram a fazer parte do repertório do disco icônico.

O disco Clube da Esquina é original e ousado. Foi um álbum duplo, num tempo em que isso não existia e foi difícil fazer a editora comprar a ideia. A chegada de Lô Borges na história deu mais fôlego às ideias já em andamento e trouxe para o clube Beto Guedes. Quem fazia parte do Clube da Esquina? Milton Nascimento, Marcio e Lô Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Beto Guedes. Agregavam influências da Bossa Nova, do jazz fusion, do rock da fase psicodélica dos Beatles (Lô Borges que os trouxeram pro grupo) e do Folk Mineiro.

O autor nos presenteia com análises muito bacanas e afetivas (ele mesmo tendo vivido o encanto de se deparar com esse disco na adolescência) das músicas do disco. E também contextualiza historicamente cada uma delas. Há no livro, ainda, uma análise do disco dos mineiros em contraponto ao movimento Tropicalista do Baianos. O primeiro como sendo uma onda mais intuitiva e o segundo mais vinculado aos movimentos de vanguarda da época. E traz também os ressentimentos havidos à época entre as duas vertentes.

O Clube da Esquina marca um momento específico e importantíssimo da música brasileira. E no livro também nos é apresentado o contexto do Brasil à época e a forma dos componentes desse clube em questionar um tempo de tanta repressão política. As músicas trazem a estrada, trazem o sol, trazem a amizade, trazem o alento para a época. O livro, assim como o disco, é afetuoso. Ler essa história em nossa atual conjuntura é emocionante. Ouvir o Clube da Esquina, hoje como nunca, é um respiro impactante.

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Livro enviado pela editora

Aqui no Poderoso já publicamos outras resenhas sobre esta coleção bacana da editora Cobogó – David Bowie, Velvet Undergroud e Gilberto Gil.

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