Resenha – Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano
por Bruno Lisboa
em 10/01/18

Nota:

John Douglas é uma lenda viva. Ainda mais quando o assunto é o universo policial. Ele foi responsável por propagar e solidificar, a duras penas é verdade, a união de duas ciências (aparentemente) distintas: a psicologia e a área criminal. Sua técnica ajudou e destreza ajudou na resolução dos casos mais assustadores envolvendo, em especial, serial killers nos Estados Unidos. Sua experiência rendeu diversos livros sobre este tipo de criminalidade e Mindhunter, lançado em 1995 e em 2017 por aqui pela Intríseca, é o seu mais celebrado. Tanto que já rendeu uma série produzida pela Netflix de mesmo nome (já resenhada aqui)

Escrito em parceria com o escritor, diretor e roteirista Mark Olshaker (parceiro também de outras publicações) o livro começa traçando o perfil de Douglas, mostrando como foi a vida do co-autor da obra até a sua entrada em definitivo para o FBI, que na época era chefiado pelo revolucionário John Edgar Hoover, detetive que elevou a organização ao status respeitável que vemos hoje.

Tal como o seu chefe, Douglas entrou no FBI disposto a mudar o rumo das investigações policiais ligadas a assassinatos em série. Seu interesse em muito se deu devido ao crescimento exorbitante de crimes desta seara a partir da década de 70, pois afinal as perguntas que ficavam no ar eram: quais os motivos levaram a cometer tamanha barbárie? E seria possível estabelecer um padrão de quem a comete? Na época o estudo sobre crimes deste tipo eram quase inexistentes (nem havia um departamento para isso) e caberia a Douglas a desbravar o terreno.

Por mais o crédito seja dado a John, no decorrer do livro o detetive dá o devido reconhecimento a seus predecessores que pavimentaram o terreno para que ele conseguisse instaurar sua ideias. Tal como na série, seu trabalho e metodologia foi desenvolvida inicialmente através de entrevistas com serial killers já presos. O conteúdo revelador destas conversas ajudaria-o a formatar o processo de análise criminal que seria referência para as gerações posteriores.

De maneira detalhada e contagiante, no decorrer dos capítulos os autores trazem à tona, de forma detalhada, alguns dos crimes solucionados, revelando a podridão e a demência humana quando o assunto é assassinatos em série. Muitas destas histórias acabaram por inspirar livros/filmes (como o clássico Silêncio dos inocentes e suas sequências) e poderiam render a outras tantas. Inclusive desde então o FBI tem atuado como consultor de muitas produções fílmicas.

John Douglas hoje está aposentado, mas seu legado permanece vivo. Tanto que a série produzida pela Netflix (que aliás funciona como material complementar ao livro) tem como intenção inicial ter mais 4 temporadas. Que assim o seja.

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O livro foi enviado pela editora

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2 Comentários em “Resenha – Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano”


David S. Pereira em 25.05.2018 às 16:41 Responder

Ainda estou lendo o livro, e infelizmente me decepcionei ate então. Esperava outro tipo de leitura. O livro apenas descreve trechos de conversas com os temidos assassinos nas penitenciarias. Acho ate a serie melhor que o livro.

Bruno Lisboa em 02.06.2018 às 19:12 Responder

O livro, sim, se atém aos casos e ao processo de investigação enquanto a série é mais dinâmica, fazendo um recorte do que o livro oferece. Eu acho que ambos são complementares por isso gosto de ambos. Abraço.


 

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