Resenha – Misery
por Patricia
em 09/01/17

Nota:

Stephen King é daqueles autores que guardo para ler quando minhas leituras emperram. Apesar de ter começado a ler o autor tardiamente – apenas em 2015  tive meu primeiro contato com o autor com Novembro de 63 e ano passado encarei  o calhamaço Sob a Redoma. Porém, essas duas obras não são parte do “culto Stephen King” do qual fazem parte aqueles que acompanharam o período de 10-12 anos em que o autor publicou livros que se tornaram clássico do gênero como Carrie, O Iluminado, Cujo, A Torre Negra, Christine, It e Misery. Livros que, por sua vez, inspiraram filmes que também se tornaram clássicos por conta própria. Aqui no Poderoso o autor já apareceu com diversas obras.

Finalmente me atrevi na fase dourada de King e resolvi ler Misery. Nesta obra, King nos apresenta a um colega de profissão: Paul Sheldon. Sheldon sofre um terrível acidente de carro durante uma nevasca enquanto dirigia por uma pequena cidade no Colorado. Ele acorda com as pernas destruídas e na casa de uma mulher chamada Annie Wilkes. Annie é sua fã número 1 – o que por si só já o deixa aterrorizado. Isso só complica à medida em que percebe que está isolado com Annie e à mercê dela e dos remédios que ela pode lhe trazer para aplacar a dor que beira o insuportável. Essa dependência, que se desenvolve rapidamente, terá consequências terríveis para Sheldon.

Enquanto vive nesse cativeiro, Wilkes força Sheldon a escrever uma continuação da história de sua personagem preferida: Misery. Quando descobre que Sheldon a havia matado no livro mais recente da série (em uma cena que Sheldon se sentiu aliviado e livre daquela personagem que o deu fama e fortuna mas também raiva e pressão); Wilkes mostra do que é capaz. Entre tortura física e psicológica, ela convence Paul a escrever um novo volume trazendo Misery de volta de maneira “plausível”. Tal como Sheherazade, Sheldon tentará atrelar sua vida à história da personagem que antes ele odiara e Wilkes se mostrará uma editora furiosa.

E é assim que temos histórias dentro de histórias. Há capítulos de Misery dedicado ao “sub-livro” “O Retorno de Misery” no qual podemos acompanhar o processo de criação de Sheldon – ou seria de King? De fato, há momentos em que não sabemos se estamos lendo uma divagação de Paul ou do próprio King avaliando sua história como autor:

Então qual era a verdade? Já que você quer saber, a verdade é que a crescente percepção do seu trabalho pela crítica literária como um ‘autor popular’ (que, em seu entendimento, ficava apenas um degrau – um degrau baixo – acima de farsante) o tinha magoado muito. Não casava com sua imagem idealizada de Escritor Sério que só lançava uns livros de merda para subsidiar o seu (trompete, por favor) TRABALHO DE VERDADE!

Seria King tirando sarro de seu status de autor popular? São, no mínimo, trechos divertidos que nos remetem ao que parece ser a vida de um escritor famoso. Alías, todo o livro é permeado por um senso de humor ora seco, ora descarado: um autor com medo de seus fãs ou a cena em que Sheldon decide matar Misery e ri como um maluco deliciado.

Para criar um ritmo de leitura que acompanha a paranóia de Wilkes, os capítulos são todos narrados pela perspectiva de Paul e se alternam entre mais curtos e mais longos. Esses capítulos mais longos, aliás, podem ser bem cansativos – vale ressaltar. Principalmente quando o autor insere várias histórias paralelas dentro da narratica central.

Ainda assim, é redundante dizer que King sabe criar uma atmosfera de terror como poucos. Sem compaixão por nenhum dos personagens – ou do leitor – ele nos guia por um cenário de pesadelo e medo.

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