Resenha – Não Espere Pelo Epitáfio
por Ragner
em 15/02/17

Nota:

Livros de filosofia costumam carecer de um bom nível interpretativo e de compreensão de seus leitores. Carecer não significa que é uma necessidade basilar, fundamental, mas envolve o mínimo de capacidade cognitiva, para entender o que está sendo lido. Talvez seja por isso que a literatura filosófica nem sempre tem tantos adeptos, ou muita gente pode até achar massante. Mas fato é: ler livros de filosofia depende de interesse MESMO.

Se há algo que já tem um bom tempo que tenho gostado bastante, é de ler crônicas. Textos pequenos, com temática cotidiana, muitas vezes com um humor inteligente e também intenções reflexivas, tem ganhado minha atenção de uma maneira agradabilíssima. Acredito na facilidade e premissa sincera que esse gênero literário possui para agradar todo tipo de leitor, e juntar isso à condição filosófica, pode muito elucidar questões que os “normais” livros de filosofia não conseguiriam.

Creio que muita gente conhece o Filósofo Mario Sergio Cortella. Professor da PUC de São Paulo, palestrante e escritor, com vários livros publicados, que abordam principalmente conteúdos filosóficos e educacionais. Não Espero Pelo Epitáfio é meu primeiro livro dele (pretendo continuar) e suas “provocações filosóficas” me fizeram gostar deveras do que li.

“Não Espere Pelo Epitáfio” é recheado de crônicas que tratam de temas como tempo, sentimentos como amor e dor, sobre a vida e a morte, ganhos e perdas, lógica, comemorações, finitude, experiências e conhecimentos, filosofia, humor e questões humanas aos montes. O livro tem mesmo um ar provocativo e analisa diversas relações humanas e suas causalidades. Claro que com um ar menos intenso ou profundo que uma obra acadêmica de Filosofia. Esse é um livro que podemos tranquilamente denominar de “comercial” ou que seja direcionado para o gosto popular.

“Ter experimentado muitas coisas ainda não quer dizer que se tem experiência”

Cortella escreve com bastante clareza, contando casos que muitos de nós podemos entender como algo rotineiro. Esse tratamento comum em relação à acontecimentos que parecem bem normais, é o que deixa a obra ainda mais interessante. Ele se utiliza de muita poesia e textos consagrados, ao citar Carlos Drummond de Andrade, Álvaro de Campos, Jean-Jacques Rousseau ou Manoel de Barros, floreando sobre a música de Toquinho (entre outros) e também personagens de cinema, como Ben-Hur. O livro é uma junção de referências que deixam cada reflexão ainda mais informal e de acesso bem amplo.

Eis um pequeno livro que cai bem como presente quando você quer agradar alguém que não tem tanto costume de ler ou mesmo aquele amigo que tem a ideia de ser “filosófico”, mas que ainda se intitula assim por causa de frases de efeito.

 

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