Resenha – Não vai acontecer aqui
por Bruno Lisboa
em 26/12/17

Nota:

 

Na história da literatura há/houve alguns escritores que, de maneira voluntária ou não, souberem prever a ordem dos acontecimentos, predizendo o que o futuro nos reserva. De fato esta leitura de mundo, como Huxley ou Orwell promoveram, geralmente traziam leituras tenebrosas sobre os anos vindouros. E nesta seara apocalíptica Sinclair Lewis é um dos melhores exemplos. Prova disso é Não vai acontecer aqui.

Versátil como poucos, Lewis escreveu romances, peças, contos e artigos; sempre com destreza e habilidade que acabaram por render um prêmio Nobel. Inclusive ele foi o primeiro escritor americano a receber tal honraria.

Em Não vai acontecer aqui o tema central gira em torno de ideologias políticas ligadas fascismo europeu que nos anos 30 começara a crescer, junto ao poder alcançado por líderes como Mussolini e Hitler, e tendia a se espalhar mundialmente.

Ambientando nos EUA, o enredo gira em torno do então candidato a presidente, o senador Buzz Windrip, que busca a sua eleição através de uma proposta inicialmente populista, visando, principalmente, a redistribuição de renda e igualdade. Porém, após a vitória na eleição o jogo vira absurdamente, pois as tendências populares de outrora dão lugar ao totalitarismo ligado a religião, a intolerância, ao machismo, ao racismo e ao militarismo. O que aparentemente era impossível de acontecer, torna-se realidade num piscar de olhos. Enquanto a população (e parte da imprensa) se rende ao novo líder, o jornalista Doremus Jessup promove via The informer (influente publicação local) uma autêntica guerra ideológica. A partir daí se inicia um confronto que se torna incontrolável, com dimensões gigantescas e desastrosas.

Por mais que a ambientação soe, aparentemente, distante, Não vai acontecer aqui, após os resultados da eleições americanas de 2016 que elegeram Donald Trump como presidente, voltou a figurar na lista de mais vendidos daquele ano, tamanha a semelhança de Buzz com o novo presidente norte-americano.

Numa realidade também não muito distante da nossa, a ideologia “salvadora” de Buzz é facilmente associável como a situação brasileira que vê em candidatos como o militar Jair Bolsonaro (um bufão totalitário no real sentido da palavra) a solução para o caos que enfrentamos na atualidade.

Complexo, instigante e revelador, Não vai acontecer aqui é livro que merece ser lido AGORA, pois o que visualizamos (a nível mundial) é uma larga debandada a direita e é preciso estar atento ao que a perda de liberdade individual pode provocar.

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O livro foi enviado pela editora.

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