Resenha – No jardim das feras
por Patricia
em 29/07/13

Nota:

No Jardim das Feras

Eu sou fã de literatura de guerra. Mas fã de verdade.  Do tipo que não pode ver um livro que não conhecia sobre o assunto que, pela graça da Mastercard, ele aparece na minha estante (sou devota). Com “No jardim das feras” essa mágica aconteceu. Quando vi que o livro era uma biografia, o ciclo mágico se completou.

O livro nos apresenta William Dodd – professor da Universidade de Chicago e historiador – que recebe a missão de assumir a Embaixada de Berlim em 1933 depois que 4 pessoas já haviam recusado o posto. Hitler acabava de assumir o poder e a Alemanha estava imersa em problemas econômicos e sociais com uma polícia cada vez mais violenta que dava início às perseguições a judeus e comunistas. Claro, quem assumisse esse posto teria que cobrar o mais de um bilhão de dólares que a Alemanha devia aos EUA e ninguém queria ter essa conversa com Hitler.

Mas estamos falando de 1933 – Hitler era “apenas” o chanceler. Muitos poderiam dizer que seus poderes tinham certo limite nessa época, até certo ponto era verdade. O problema era que os países não viam nada demais no que acontecia na Alemanha. De fato, o autor deixa muito claro que nos Estados Unidos, grande parte da população repudiava os judeus e queria que o governo não permitisse que entrassem no país. Em determinado momento, o governo norte-americano colocou como exigência para o visto de que o país de origem desse um atestado de boa conduta. Isso significa que um judeu que queria fugir da Alemanha precisaria pedir para o governo alemão um atestado que mostrasse o quanto esse judeu era gente boa. Vai vendo…

Dodd assumiu a embaixada norte-americana em Berlim nesse redemoinho de problemas que parecia passageiro mas, como sabemos, era apenas o começo de algo muito pior e mais drástico.

Nazismo hitler bandeira simbolo

Enquanto Dodd estava perdido na diplomacia estranha que tinha que exercer, sua filha Martha arrasava na alta sociedade alemã. Descrita como muito bonita, divertida e inteligente, Martha teve diversos casos com homens de todas as estirpes: russos, nazistas, autores, jornalistas…chega um ponto em que o livro não tem mais certeza de seus envolvimentos. E ela o fazia de maneira livre e despreocupada.

O livro tem um foco muito direto em Dodd e Martha, o restante da família quase que não existe. O motivo disso é que Martha deixou escritos muito detalhados de suas percepções da sociedade alemã na época. A princípio, ela considerava que o nazismo poderia, sim, ser algo bom, já que estava tentando colocar em ordem um país que vivia no caos. Essa opinião vai evoluindo e Martha terá um papel surpreendente em uma trama de espionagem que nem John Le Carré poderia inventar – ou o que supõe-se ser uma trama de espionagem. Achei que a história toda de Martha seria um tanto quanto previsível e tomei um susto (no bom sentido).

Agora, vamos combinar que o subtítulo faz com que o livro pareça um romance barato? Poxa, se falasse na capa que era uma história real, aposto que eu teria comprado muito antes (e não, eu não fico lendo sinopse e comentários na livraria). Mas tudo bem. Pelo menos eu fui firme e li o livro apesar disso. Sorte minha. Mas deixo meu apelo à editora que pare de usar frases de impacto que contenham a palavra sedução.

No colégio tive uma professora de História que brincava dizendo que a única resposta adequada para a pergunta “o que você faria se pudesse voltar no tempo?” era “daria um soco na cara de Hitler.” ou algo mais extremo (Bastardos Inglórios feelings). O que temos em No jardim das feras é a história de um homem que teve a chance real de fazer isso (ainda que simbólica). Fico me perguntando o que teria acontecido se Dodd tivesse tido colhões para pedir uma intervenção mais abrangente dos EUA na Alemanha.

images

O livro é pesquisado até a vírgula. Realmente nos leva no dia a dia da família Dodd e no desenvolvimento de uma Alemanha em ebulição e pronta para explodir. É um livro difícil de largar e fácil de ler pela linguagem direta do autor – a combinação letal para fazer com que você ignore amigos e namorado(a); além de, claro, perder horas de sono. Ainda que no final o livro perca um pouco o ritmo, No jardim é feras é uma leitura necessária para fãs de livros de guerra.

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4 Comentários em “Resenha – No jardim das feras”


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Jessica em 09.02.2014 às 23:44 Responder

Eu já estava super ansiosa para ler este livro, depois da sua resenha então… rsrs
Obrigada por dividir conosco sua opinião!!!

Bjs.

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Paty em 10.02.2014 às 07:02 Responder

Olha…eu sou suspeita para falar porque sou fã de livros de guerra. Mas esse eu realmente gostei bastante e por ser uma história real, acho que vale a pena. 😉
Bjos.

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Gustavo em 28.01.2016 às 07:56 Responder

Eu li recentemente a última viagem do Lusitania e gostei muito – gosto de guerra também, mas não sou partidário fiel de intrigas palacianas (não em excesso), no entanto, gostei da resenha…

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Patricia em 28.01.2016 às 08:00 Responder

Ouvi coisas bem boas sobre o A última viagem. Como gostei da escrito do autor, espero ler esse em breve. 🙂


 

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