Resenha – Nós somos a tempestade
por Bruno Lisboa
em 28/06/16

Nota:

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Certa vez, nos tempos da faculdade, fui apelidado por um amigo de “antropólogo musical”, pois sempre estava a estudar a música (de ontem e de hoje) em suas mais variadas vertentes. De lá pra cá a dedicação a este estado da arte nunca cessou. Afinal, a variedade é tão grande que a partir do momento em que se iniciam as pesquisas as fontes parecem nunca findar.

Aqui no poderoso, leituras como a de Barulho Infernal (já resenhado aqui) refletem um poucos das pesquisas que faço quando quero imergir num determinado gênero musical específico. Mas durante a leitura do mesmo, senti que, por mais que o livro fosse um tanto quanto abrangente, faltava algo a ser contado. E fora assim que me deparei com Nós somos a tempestade.

Lançado pela Edições Ideal, o livro faz parte da Coleção Mondo Massari, série de obras  que tem a chancela do grande Fábio Massari (ex-MTV) autor de livros como o obrigatório Alguém come centopeias gigantes?.

Escrita pelo jornalista Luiz Mazzeto, a obra compila uma série de matérias que o autor realizou durante dois anos para o site Intervalo Banger (o site não existe mais). As mesmas tinham como mote central dar luz e voz a um gênero musical que carecia de uma melhor exposição: o chamado metal alternativo.

Dividido em capítulos, o livro é conduzido por entrevistas onde Mazzeto conversa com músicos precursores do gênero de bandas como Black Flag, Melvins, Neurosis (faltou o Black Sabbath hein!?) e a partir daí rende o papo e esmiúça a árvore genealógica da seara alternativa do metal partindo das bandas sludge (Eyehategod, Buzzov-ven, Grief), passando pelo pós – metal (Isis, Pelican, Misnk), o sludge progressivo (Mastodon, Kylesa, Baroness), a cena stoner/doom (Saint Vitus, Down, Clutch), o chamado “hardcore torto” (de banda como a Converge, Botch e The Dillinger Escape Plan), e também a bandas veteranas (e inclassificáveis) como a Corrosion of Conformity, entre tantas outras.

Por mais que as conversas girem sempre em torno dos mesmos temas (influências, discos prediletos, a música brasileira) Mazzeto mostra conhecimento de causa ao perfilar perguntas interessantes sobre a carreira de cada uma das bandas entrevistadas. Outro ponto discutido, e valoroso, são os rumos a serem seguidos quanto ao futuro da música, numa era que antes era regrado (e restrita) a doutrinação das gravadores e hoje é dominada (e ampliada) devido a geração do arquivo digital (para entender ainda mais sobre isso é recomendável a leitura de Como a música ficou grátis, livro também resenhado por aqui).

Para além do universo da música o autor estende o diálogo aos diretores Kenneth Thomas e John Srebalus (responsáveis, respectivamente pelos documentários Blood, sweat + vinyl Such Hawks Such Hounds) que contribuem ainda mais para compreender as diretrizes da cena.

Nós somos a tempestade é uma leitura indicada para iniciantes (inclusive ao final há uma lista com 50 discos essenciais do metal alternativo) e aos já convertidos. Não obstante, a mesma é válida pois não só expõe o modo operante de cada artista como também revela as dificuldades (e alegrias) de quem tem a música como paixão e ganha pão.

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