Resenha – Nós somos a tempestade vol.2
por Bruno Lisboa
em 28/08/17

Nota:

 

Música, como vocês já sabem, é um dos assuntos prediletos da casa quando escrevo. E a resenha da vez é prosseguimento de uma pesquisa sobre o metal (e as suas mais variadas vertentes). Para tanto, meus olhos (e ouvidos) imergiram, mais uma vez, numa prazerosa e reveladora leitura que é este Nós somos a tempestade vol.2.

Nascido a partir de algumas entrevistas que sobraram do primeiro livro, este segundo volume de Luiz Mazzeto, autor também do primeiro (já resenhado aqui), adota ideias semelhantes à série de documentários do diretor Sam Dunn (à saber: Metal – A headbanger journey Global Metal) ao inicialmente prestar homenagem a grandes ícones e precursores do gênero, no caso o metal alternativo, nos Estados Unidos. Nesta obra ele entrevista artistas da mesma seara, porém mundo à fora. O mercado norte-americano (Canadá), o europeu (Inglaterra, Bélgica…), o sul-americano (Brasil, Argentina) e asiático fizeram parte de sua pesquisa que estão devidamente registras no livro.

Novamente Mazzeto demonstra conhecimento enciclopédico para conduzir as conversas sobre temas diversos ligados a carreira de cada um dos entrevistados (influências, discos prediletos, o conhecimento de música brasileira, o download ilegal e o futuro da música). Porém, desta vez ele abre o leque ao optar por uma linha mais emocional. Neste segundo volume o autor extrai de seus entrevistados depoimentos íntimos que trazem à tona não aspectos relacionados a música por si só, mas também as reais motivações que circundam seus trabalhos, questionando sobre suas primeiras influências, suas batalhas pessoais e o que lhes trazem orgulho ao realizar o trabalho que fazem. Por mais que cada banda soe única e tenha particularidades no seu fazer artístico é interessante perceber o quão sentimentais são grande parte dos músicos entrevistados, revelando que há leveza num mundo onde o estereótipo “brucuto” ainda se faz muito presente.

Por mais que ambos os volumes tenham tido a benção da editora Ideal e de Fábio Massari (o eterno ex-VJ da MTV), também é interessante ressaltar que o livro foi construído num formato “do it yourself” (faça você mesmo) já que grande parte dos artistas são desconhecidos do público em geral e da mídia especializada local, fazendo com que o interesse para com o material gerado fosse reduzido. Mas este fator não impediu que o autor seguisse os próprios instintos e convicções. Tal como grande parte dos artistas entrevistados.

Em tempos onde jornalismo segue formatos cada vez mais convencionais, sem se atentar ao novo, Nós somos a tempestade Vol. 2 é um exemplo raro e instigante de amostragem de que é possível fazer obras relevantes, sem se render ao modo convencional de ser fazer matérias que geralmente dá voz e exposição a quem já está na crista da onda.

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