Resenha – Nossas Noites
por Ragner
em 14/06/17

Nota:

 

Quando você se depara com um livro que: não segue o gênero textual que tu costuma ler, não possui altos e baixos cheios de referências de aventura/ação/suspense que você adora e possui personagens fora do padrão que você costuma admirar, você para pra refletir sobre o quanto ainda precisa descobrir sobre literatura. É impressionante o poder narrativo de algumas pessoas. Não necessariamente que Nossas Noites seja um livro acima da média, mas é significativo o quanto um livro tão singelo conseguiu conquistar minha atenção e me fez devorá-lo.

A história é simples, não há clímax e tampouco reviravoltas, sem antagonismo ou muitos personagens com personalidades diversas. Fato é que gostei deveras da sutileza da obra e isso me fez pensar um bocado em como estarei daqui uns 30 anos. O enredo envereda por questões sobre a vida de pessoas que já viveram sozinhas por muito tempo depois de já terem constituído família, que são considerados idosos e possuem seus interesses e vontades como qualquer outro e, ainda, discute como o relacionamento entre um homem e uma mulher que já foram casados – e não devem nada a ninguém – pode incomodar ou deixar outras pessoas curiosas demais.

Addie Moore e Louis Waters são dois septuagenários que se conhecem, mas não costumam ter contato. Addie é viúva de Carl e Louis é viúvo de Diane. Um certo dia Addie vai até a casa de Louis e lhe propõe ir para a casa dela, para começarem a passar as noites em companhia um do outro e se conhecerem melhor. Louis começa meio receoso, sem grandes projeções e preocupado com a opinião dos outros vizinhos. Mas as noites vão passando e o relacionamento entre os dois acaba sendo interessante para ambos e entre conversas sobre o passado de cada um e a convivência que vai se construindo, Addie e Louis entendem que o envelhecimento pode, também, trazer outras chances para a vida. Mesmo que isso possa desagradar outras pessoas.

O enredo do livro gira em torno disso e a história é narrada a partir dessa simples contextualização. As poucas páginas, os personagens incomuns (para mim) e a escrita um pouco diferenciada (o autor não utiliza travessão para indicar a fala dos personagens) me conquistaram. Fiquei curioso para saber como os dois viveriam essa nova fase de suas vidas, para entender como tal relacionamento incomodaria os outros (já que não precisavam dar satisfações para ninguém) e me acostumar com essa forma de escrever do autor.

Nossas Noites valeu muito a pena. É um livro curto, com uma história muito bem escrita e com uma ternura capaz de explorar os sentimentos das pessoas mais velhas, que diversas vezes são deixadas de lado, sem tanta representação social.

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Livro enviado pela editora

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1 Comentário em “Resenha – Nossas Noites”


Thaiz Amorim em 16.07.2017 às 15:29 Responder

Um Romance singelo, bem escrito que me fez refletir um pouco sobre a vida. Muito bom vale a pena 🙂 <3


 

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