Resenha – Novembro de 63
por Patricia
em 30/03/15

Nota:

Unknown

Eu tenho certa fascinação por alguns temas. Um deles já comentei bastante aqui no blog, é a 2a Guerra Mundial. Caço livros sobre o assunto, seja ficção ou não. Um outra tema que acho extremamente interessante são os anos entre JFK e Nixon da história moderna dos Estados Unidos. Entre o primeiro presidente católico, a Guerra Fria, a Baía dos porcos, a Guerra do Vietnã, um presidente e um candidato assassinados, o movimento pelos Direitos Civis dos negros e um escândalo que levou a uma renúncia presidencial, o país viveu alguns anos bem conturbados. Acho fascinante ler sobre essa época porque ela pautou muito do que vemos na política do país hoje.

Essa foi parte da minha atração a “Novembro de 63” de Stephen King. A outra parte foi o próprio autor. Nunca tinha lido nada de King até esse livro. Normalmente, não gosto de histórias de terror e afins. Nem em filmes, nem em livros. Mas algo nesse livro me deixou intrigada. Eu queria saber como o estilo de King estaria ligado a um dos anos mais importantes para a história dos Estados Unidos (o ano do assassinato do presidente Kennedy).

O livro gira em torno de Jake Epping – um professor de um programa de supletivo que acaba de sair de um casamento complicado com uma alcoólatra.  Sua vida não parece muito emocionante e seu momento mais marcante recente envolve um aluno que, com seus 60 anos, escreve uma redação avassaladora sobre como viu, quando criança, o pai matar sua mãe e seus três irmãos com um martelo. Isso mexe com Jake de uma maneira inesperada.

Enquanto isso, Al, dono de uma conhecida lanchonete e conhecido de Jake, o convida um dia para uma conversa. Convite estranho já que eles não são grandes amigos e não costumam trocar familiaridades. Mas Jake vai mesmo assim e Al lhe conta uma história insana: em sua lanchonete, há um portal que liga o presente ao passado. Mais especificamente, 2011 a 1958. Jake não acredita até fazer um experimento próprio e chegar, ele mesmo, a 1958.

Al já havia feito diversas viagens e foi, cada vez mais, ousando em suas ações. Uma vez, tentou mudar o que acontecia com uma menina que levava um tiro acidental de um caçador e ficava paraplégica. Al foi a 1958, evitou o tiro e voltou a 2011 para ver o resultado e descobrir que a menina, agora uma mulher feita, seguia sua vida normalmente. Então teve uma idéia: com suas informações privilegiados do futuro, Al poderia tentar impedir o que ele acreditava ter sido o grande divisor de águas da história dos Estados Unidos: o assassinato de Kennedy que aconteceu em…Novembro de 63! :O

Só que Al está sofrendo com um câncer em estágio avançado no pulmão e pede a Jake que siga em frente com essa tarefa. Começa uma viagem do tempo das mais malucas e interessantes que já vi. Focando na vida do final dos anos 50 e no turbilhão político que os Estados Unidos estavam prestes a entrar, King consegue escrever quase um romance histórico com um tom de ficção científica. Unir esses gêneros pode parecer extremamente complicado, mas King prova que é possível.

É inegável que o autor escreve incrivelmente bem. Entendi, finalmente, o encanto que ele gera em tantos fãs. Suas histórias são criadas com o nível de detalhe perfeito para a imaginação não perder nada. Tanto que faz sentido que muitos de seus livros tenham sido adaptado para o cinema ou para a televisão, e parece que Novembro de 63 não será exceção. Rolam boatos de que o livro será adaptado como minisérie para a televisão.

Justamente por isso, porém, ás vezes a leitura se torna arrastada. O autor é bem prolixo em algumas partes e questionei se alguns capítulos realmente precisavam estar aqui. Pensei, em certo momento, que ele estava escrevendo mais um roteiro de cinema do que uma cena para um livro. Mas isso não diminui o mérito de que a história tem personagens e um enredo crível, por mais bizarra que seja a premissa. Aliás, cada personagem aqui parece ter uma personalidade própria. A vida que King cria para Jake em 1958 é adorável e todas as pessoas que giram em torno dele enriquecem a história com um tom de realismo.

Me sinto preparada para ler mais King e o próximo livro da lista será “Sob a redoma”. Quem sabe um dia me jogue em alguns de seus clássicos assustadores. Por ora, King foi uma ótima surpresa e “Novembro de 63”, um calhamaço de respeito.

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