Resenha – O adulto
por Patricia
em 29/08/16

Nota:

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Gillian Flynn é conhecida por Garota Exemplar – bestseller adaptado para o cinema em 2015. Aqui no Poderoso, já falamos também de suas outras obras: Lugares escuros e Objetos cortantes. Portanto, não preciso dizer que gosto da autora e realmente acredito que ela é uma das melhores novas autoras que temos atualmente para obras de suspense e ficção (meu preferido dela continua sendo Garota Exemplar por todos os motivos listados na resenha).

O mais recente lançamento da autora é um conto chamado O adulto. O conto apareceu em uma antologia organizada por ninguém menos que George R. R. Martin. Um dos pontos no marketing deste conto foi que ele foi publicado a pedido do famoso autor.

Escrito logo depois de Garota Exemplar, O adulto carrega muito de uma das marcas já registradas da autora: uma protagonista amarga, não muito confiável, que entrega todos os seus pontos negativos logo nas primeiras páginas quase como se não se importasse se o leitor goste dela ou não. De fato, protagonistas pouco simpáticas parece ser o mote de Flynn. Em O adulto, a protagonista sem nome nos conta sobre sua infância pobre, em que pedia dinheiro com a mãe na rua e onde aprendeu a “ler” as pessoas antes mesmo delas se aproximarem demais. Pelo andar, pela roupa, pelo jeito como reagiam quando eram abordadas, era possível perceber se essa pessoa estava aberta a dar dinheiro ou não.

Depois de abandonar a mãe e a vida de pedinte, ela vai trabalhar em uma loja de massagem. É “lendo” os homens que ela entende quando eles querem, às vezes, o alívio rápido de uma “massagista especial”. Trabalhando apenas com as mãos em lugares masculinos muito específicos, ela cria até um tipo de relacionamento com seus clientes – ainda que superficial. Além disso, ela também trabalha como vidente, enganando mulheres desesperadas demais para raciocinarem um pouco sobre o que escutam. Ela pode ter saído das ruas, mas não consegue ter uma vida normal sempre retornando à enganação como meio de vida.

Como vidente, ela conhece Susan – uma mulher rica que aparece na loja dizendo que sua casa é assombrada. Nossa protagonista vê uma oportunidade excelente de ganhar dinheiro e vai visitar a casa de Susan enquanto calcula quanto poderia cobrar para “limpar” a casa – literalmente, ela pretende levar sal grosso e afins e lavar o chão e etc para dizer que está, aos poucos, livrando a casa da assombração.

Com um estilo gótico, a casa já causa uma má impressão e uma sensação ruim. Quando conhece o filho mais velho – resultado de um casamento anterior do marido de Susan – as coisas começam a ficar assustadoras. O menino é estranho e age de maneira muito adulta para sua tenra idade – começo da adolescência. Ele diz coisas que podem ser interpretadas como ameaças e é intenso a ponto de ser incômodo.

A protagonista encontra alguns sinais bizarros na casa: rastros de sangue, por exemplo, ou uma página na internet que explica que a família que construiu a casa foi massacrada pelo filho mais velho que depois se matou. Na foto da família, o jovem assassino se parece muito com esse menino que agora a incomoda tanto.

Nada nesta história é original. Não é uma história extremamente assustadora e não é um tema inovador – o que tende a ser comum em histórias de terror. A mente humana parece ter certo limite para o horror como um todo e é aí que passamos a incrementar esse horror com outros gêneros – como o sobrenatural, por exemplo. A verdade, porém, é que nada é mais horrível do que a realidade da vida de algumas pessoas. E a protagonista vai acabar entendendo isso no final.

A construção dos personagens, como sempre, é o forte de Flynn e isso também se reflete neste conto ainda que mais superficial que o normal. A transição entre descrição e acontecimento é boa e acontece de maneira bem focada. O leitor sente a tensão escalar enquanto lê o conto. Acho que se fosse um livro completo, poderia realmente se transformar em algo ótimo. Mas em um conto, tudo acontece rápido e não existe uma construção de personagem muito profunda. Acredito que é por isso que ele acaba sendo um conto um tanto “lugar-comum” até com alguns clichês que já vimos antes.

Bom conto, nada muito incrível.

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O livro foi enviado pela editora.

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