Resenha – O Carrossel
por Ragner
em 20/03/15

Nota:

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O Carrossel parece um filme inglês. Claro que depende muito da nossa imaginação para isso, mas eu fiquei bastante envolvido com uma atmosfera graciosamente inglesa e digo que se ouvisse os personagens, poderia até sentir aquele indiscutível sotaque britânico. Página a página fui me envolvendo com palavras que, mesmo traduzidas, garantiam meu entendimento diferenciado do idioma da terra da Rainha.

De início imaginei que seria um livro pretensiosamente feminista, mas não se mostrou tanto assim no decorrer da leitura (e eu gostaria que tivesse sido). A protagonista é uma moça chamada Prue, os pais são separados, ela mora com a mãe, o pai tem outra família, mas muito de sua personalidade é da família paterna e ela nutre uma admiração nada velada de uma tia que morou por anos com um homem sem se casar e que agora, depois dele ter falecido, mora sozinha, já com idade avançada, mas completamente independente e segura de quem é, não se importando muito com certas convenções sociais.

Prue vai passar alguns dias com a tia, Phoebe, que está com o braço quebrado e precisa de ajuda para poder se locomover durante sua recuperação. Durante a viagem, de trem, para a pequena aldeia de Cornualha, Prue conhece Charlote, uma garotinha tímida, que tem um pai desinteressado e uma mãe que só pensa nela mesma. Charlote vai visitar a avó, uma conhecida de Phoebe. Ambas dividem o mesmo taxi enviado por Phoebe, já que a avó de Charlote é uma senhora aristocrática que tem outros afazeres, nem um pouco envolvidos com a neta. As duas se tornam logo amigas e descobrem ter esse sentimento carinhoso e admirável amor por Phoebe.

Prue tenta aproveitar toda a paz que acredita poder ter passando um tempo com a tia para poder refletir sobre a vida, sobre seus relacionamentos, intenções e pretensões, mas o encontro com Daniel, um artista sem porto, ex aluno do companheiro já falecido de Phoebe, faz com que ela se questione mais ainda sobre sua vida. O que ela ainda não sabe é que Daniel tem um passado em Cornualha e que a visita dele a Phoebe, vai desvendar segredos que ele pensava ter enterrado há anos.

Mesmo sem grandes reviravoltas, ação ou diferente agitação recorrente que tanto gosto em muitos livros que costumo ler (eis outra diferença em relação a escritores americanos, me fazendo imaginar um filme inglês), fui fisgado agradavelmente pela escrita de Rosamunde Pilcher. A história é simples, o livro é pequeno, não há uma profundidade de trama ou clímax no enredo, mas fui lendo cada vez com mais gosto.

Nada demais acontece pelo menos até quase no final e mesmo não sendo acontecimentos que sustentariam qualquer drama familiar hollywoodiano, somos conduzidos por uma narrativa que mantêm uma carga sem altos e baixos, mas que suporta uma certa curiosidade, uma certa carga dramática que até cativa. Ainda não sei se gostei mais do livro pela vontade de ler a autora, que já vem de tempos, ou se é porque a escrita é mesmo tão boa. Já tenho outros três dela para ler, mas a expectativa é bem boa, pois o primeiro contato foi excelente.

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