Resenha – O Enterro Prematuro
por Ragner
em 12/07/17

Nota:

 

Edgar Allan Poe é o que podemos chamar de unanimidade em relação à histórias fantásticas. Seus contos de suspense e terror são mundialmente conhecidos e até adaptação para o cinema já rolou de sua mais conhecida obra: O Corvo. Lendo esse livreto conheci um subgênero literário que abarca tais contos fantásticos que fazem parte do conhecido Terror. Tal subgênero é denominado Gótico Americano, pois engloba escritores americanos que versam sobre medos sobrenaturais e ambientações cheias de superstições. Esta informação está entre as primeiras páginas do livro e cita o aclamado Stephen King.

Após a significação de tal termo, há uma breve biografia do autor e podemos conhecer um pouco mais sobre Poe, suas inclinações por jogos e bebida e referências narrativas do “grotesco e arabesco”. Com a citação de algumas de suas obras, entendemos as motivações e personalidades de personagens, sua atração pelo mórbido e como seu trabalho influenciava escritores posteriormente (exemplo de Arthur Conan Doyle e Charles Baudelaire). Além disso, explicações sobre a presente obra também ganham destaque, apresentando a narrativa como um depoimento e explicando que experiências de quase morte interessava bastante o autor. Dito isso, deixo vocês com um pouco de O Enterro Prematuro.

Ser enterrado, ainda vivo, é, fora de questão, o mais terrível desses extremos a cruzar o destino de um simples mortal.

A história começa com o narrador deixando claro o quanto lhe apavora ser enterrado vivo e para isso, relata alguns exemplos em que pessoas foram enterradas sem estarem mortas de verdade. Isto acontecia devido a falta de uma análise clínica adequada ou outro erro médico qualquer. Fato é que existem casos de pessoas que já foram sepultadas ainda vivas.

Nosso narrador conta histórias de pessoas que passaram por esse pesadelo (acredito que posso denominar assim): uma mulher aparentemente morta fora depositada em uma cripta familiar e após 3 anos, quando a cripta foi aberta, seu esqueleto caiu nos ombros do ex esposo; outra mulher que estava em condição que lembrava a morte, chegou a ser sepultada e horas depois foi salva por um antigo amor (que desejava suas madeixas), que a acorda de uma profunda letargia durante suas carícias; um homem que sofrera uma queda de um cavalo e teve o crânio fraturado, foi enterrado sem a devida realização efetiva de todos os exames, mas tremores de terra são sentidos e logo depois retiram o caixão do chão com ele respirando com dificuldade; mais um homem fora enterrado, até que alguns médicos decidiram dissecá-lo, em segredo e após dois, durante alguns experimentos o corpo se prova ainda vivo, para a admiração de todos.

Pode-se afirmar, sem hesitação, que nenhum evento é tão terrivelmente bem adaptado a inspirar a mais suprema aflição corporal e mental, como é o enterro prematuro.

Após tais relatos, o narrador conta sua própria história. Não de enterro, mas de sofrer de catalepsia e o medo perene de algo do tipo acontecer com ele. Ele conta que já passou por situações em que está consciente durante seu estado de paralisia e rigidez, que já enfrentou agonias morais e sofreu com sua imaginação mórbida, deixando bem claro para parentes e amigos como deveria ser sepultado ou examinado, sem enterros até que seu corpo estivesse em decomposição. O narrador conta que em algumas ocasiões ele mesmo se considerava morto, ou parecia se comunicar com a morte, durante um sono profundo.

Eis um livro pequenino que faz jus ao gênero, pois suas histórias conseguem mesmo causar uma leve perturbação…

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – O Enterro Prematuro”


 

Comentar