Resenha – O fantasma de Canterville
por Ragner
em 25/04/18

Nota:

 

Oscar Wilde já passou pelo Poderoso com seu romance clássico O retrato de Dorian Gray e hoje trago até vocês um conto destinado ao público infantil, mas que é capaz tranquilamente de agradar pessoas de outras idades. Wilde possui uma escrita que pode ser considerada gótica ou mesmo fantástica e nesse livro trabalha tais temas de maneira suave o bastante para poder ser lido por crianças e adolescentes.

O fantasma de Canterville possui um título que já entrega sobre o que versa a história, mas a condução de tudo que ocorre e como ocorre é que faz a diferença, pois cria uma atmosfera sem tons sombrios ou ar de suspense, mesmo tendo um fantasma entre os personagens.

No enredo temos uma família americana se muda para a Inglaterra e compra uma propriedade assombrada há 300 anos. O que se espera, habitualmente, é que sustos e situações de medo aconteçam, mas a trama vagueia por entre a percepção dos vivos e a do fantasma e dão um outro panorama sobre quem tem medo de quem.

O Ministro norte-americano Mr Hiram B. Otis compra Canterville Chase e durante o processo, o antigo dono – Lorde Canterville – tenta explicar que o fantasma de um antigo parente já fora visto por vários membros da família, mas o Mr Otis não deu muita atenção e ainda deixou claro que de onde veio, tais superstições não fazem parte da modernidade americana. Semanas depois, com toda a família reunida, o autor nos apresenta um a um e como se deu o primeiro contato deles com a governanta responsável pela propriedade: Mrs Umney, que insiste em defender que a mansão é mal assombrada.

Enquanto uma mancha cor de sangue no chão some e reaparece diariamente após ser limpa com removedor de manchas, correntes enferrujadas que acordam o Ministro, que deixa um Lubrificante a disposição e gargalhadas horripilantes que fazem a Mrs. Otis aparecer para indicar um remédio para indigestão, o fantasma se mostra deveras abatido e bastante incomodado. Após alguns dias se recupera da decepção e se esforça para mais outra tentativa de assombrar a família, mas seu tiro sai pela culatra e quem acaba apavorado é ele, por um outro fantasma. Um fantasma montado. Foi pego numa trapaça. Feito de bobo.

Durante a leitura podemos perceber várias ocasiões em que o escritor ironiza a jeito todo certinho inglês e o oposto norte-americano. Wilde descreve com sarcasmo os momentos que louvariam a literatura de horror. O conto quebra o paradigma dos seres fantásticos e satiriza os modos dos ingleses e norte-americanos, tudo com um certo tom de crítica e com bom humor.

O fantasma de Canterville é um livro pequeno, uma excelente pedida para uma tarde de domingo, com uma deliciosa dose de café. Sinta-se a vontade.

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