Resenha – O fim do homem soviético
por Patricia
em 17/01/18

Nota:

 

Já falei de outros dois livros da bielorussa Svetlana Aleksiévitch aqui no Poderoso; duas obras incríveis que são leituras necessárias: A guerra não tem rosto de mulher e Vozes de Tchernóbil. No final de 2016, a Companhia das Letras lançou a terceira obra da autora traduzida: O fim do homem soviético.

Essa obra trata de um tema muito parecido com o que foi abordado em Vozes de Tchernóbil: a perda daquilo que você conheceu a vida toda. O fim do homem soviético, como o título já indica, nos apresenta histórias de pessoas que viveram sob a União Soviética e viram o fim do regime e a abertura do país para o capitalismo nos anos 90.

Como já demonstrou em suas outras obras, Aleksiévitch fez uma extensa pesquisa para compor o livro trazendo relatos a favor e contra a abertura do país, pró-Stalin, anti-Stálin, pró-Gorbatchóv (o último líder soviético que propôs diversas reformas que levaram, inevitavelmente, ao fim da URSS), anti-Gorbatchóv. A autora é bem democrática nos relatos que opta por colocar em seus livros oferecendo para o leitor uma visão das mais completas possíveis. Temos ex-militares, pessoas que abandonaram o país, que protestaram a perestroika (como ficou conhecido o movimento político de reforma do Partido Comunista que, acompanhada da abertura do país – glasnost – e trouxe o capitalismo para a Rússia); camponeses que não se importavam com a questão ideológica, estrangeiros que foram perseguidos na nova Rússia, russos que perderam tudo e etc.

Diferente das outras obras, Aleksiévitch se aproxima de um mundo que teve impacto direto em sua própria vida: nascida na Bielorussia, país que se tornou independente da URSS em 1991, ela própria teve sua experiência próxima com o comunismo russo e os impactos na vida cotidiana. Com isso, em alguns momentos, a autora acrescenta aos relatos comentários próprios – mas de maneira muito suave e pertinente, sem tomar o protagonismo de quem compartilha suas histórias.

No geral o estilo da autora está presente aqui, mas “O fim do homem soviético” se beneficiaria de um pouco de edição. Apesar de cada testemunho ser de pessoas completamente diferentes, algumas histórias são bem similares e a leitura fica um pouco maçante quando alguns relatos se repetem muito.

O tema é extremamente interessante e a ideia de juntar todos esses testemunhos nos apresentam o regime antigo e o novo por um prisma totalmente diferente. Mesmo assim, dos três livros da autora que já li até o momento, este se tornou o que menos gostei. “A guerra…” segue sendo meu preferido e o que mais me impactou.

Sigo interessada nas obras da autora e, definitivamente, lerei os próximos livros que serão lançados. Svetlana Aleksiêvitch já tem lugar cativo nas minhas estantes.

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