Resenha – O Homem que amava os cachorros
por Juliana Costa Cunha
em 07/03/18

Nota:

 

Escrever sobre um livro premiadíssimo, por si só já é bem desafiador. E quando, além de todos os prêmios, o livro tem as Revoluções Russa, Espanhola e Cubana como carro chefe da narrativa? E nos conta a história de um dos assassinatos mais relevantes da história mundial: o assassinato de Trotski?! Sim, vamos logo esclarecer, o título do livro remete ao amor de Trotski pelos cachorros. Ou seja, não espere uma história bonitinha sobre um homem e seu animal de estimação.

Dito isto, vamos aos prêmios: Prix Initiales (França, 2011), Prix Roger Caillois (França, 2011), Prêmio de la Critica (Cuba, 2011), XXII Prix Carbet de la Caraïbe (2011) e V Prêmio Francesco Gelmi di Caporiacco (Itália, 2010). Seu autor, Leonardo Padura, é Cubano (Havana, 1955), vive em Cuba até hoje e, em 2012, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba. É formado em Letras pela Universidade de Havana. Na década de 90 trabalhou em Cuba como escritor, jornalista e crítico literário. Foi nessa época que escreveu uma série de romances policial estrelado pelo detetive Mario Conde, seu mais famoso personagem.

Em O Homem que Amava os Cachorros, Padura vai nos contar a história do exílio e assassinato de Trotski pelo jovem espanhol Ramón Mercader. Então essa é uma história real, conhecida da maioria das pessoas em todo o mundo. Uma história policial na qual já sabemos quem mata e quem morre (e como morre). E nem por isso perde-se a vontade de ler as suas 592 páginas. Leonardo Padura é magistral na condução dos fatos, relatando os acontecimentos históricos a partir de três planos narrativos diferentes.

Temos a história narrada por Trotski em seus anos de exílio, suas dificuldades familiares e sua constante luta em mostrar a todos os desvios ideológicos aos quais Stalin (um homem que amava os gatos) impunha à Revolução Socialista.

Temos a história narrada por Ramón Mercader, jovem espanhol que luta nas trincheiras da Guerra Civil Espanhola, desejando ter um lugar de protagonista na Revolução. Este homem acaba sendo recrutado como agente secreto Russo, tendo sua mãe como articuladora de todo o processo, e assumindo todos os passos (ou assim acreditando que seria) para cumprir a missão de assassinar Trotski.

E, por fim, mas não menos importante, temos o terceiro plano narrativo da história, que se passa em Cuba e é narrado por um senhor enigmático, Jaime López que conta a um jornalista desencantado – Ivan, os pormenores do assassinato do líder da Revolução Russa. É nesse plano que o autor se confunde com o personagem Ivan, onde nos deparamos com as questões políticas e sociais de Cuba e, também, aonde as costuras narrativas do livro vão sendo feitas.

Ok, a minha resenha poderia terminar por aqui. Afinal, a história está posta. Porém, é preciso que se diga que as entrelinhas do livro são outra grande sacada que encontramos nele. Ao longo da narrativa Padura vai inserindo algumas questões para reflexão.

O que significa lutar por uma causa? Qual a legitimidade em defender um ideal e onde ele se perde? Até onde é idealismo e onde começa o fanatismo? Onde termina o ideal socialista e inicia-se um processo totalitário? Quantas vidas são necessárias para se alcançar um ideal?

Este é um livro gigante! Daqueles que você termina de ler e quer ler mais sobre o que foi narrado. Daqueles que não sai de você nunca.

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