Resenha – O macaco e a essência
por Ragner
em 04/06/18

Nota:

Aldous Huxley é um escritor conhecido por suas teorias distópicas e pelo clássico Admirável mundo novo. A ilha já foi resenhada por aqui e hoje trago para vocês minhas considerações sobre O macaco e a essência. Devo admitir que a priori escolhi ler tal livro pela ideia do livro – que me fez pensar em O planeta dos macacos. Mas os símios só se equivalem no título e no contexto de personagens, o enredo segue por caminhos bem distintos.

A história aqui é apresentada por um roteiro perdido, entre outros, caído de um caminhão lotado com material encaminhado para incineração. Roteiro esse que é encontrado por Bob Briggs – roteirista de Hollywood – e um amigo, enquanto perambulavam por um estúdio de cinema. Os amigos conversavam sobre a vida, amores e assuntos que conectavam Gandhi a Cristo e as razões de sua morte (as primeiras páginas me pareceram um bocado bagunçadas, mas depois de engrenar a leitura, me pareceu ter sido a intenção do autor, já que ia de um assunto a outro deixando claro um diálogo recheado de reflexões entre dois amigos).

Enquanto Bob e o amigo folheiam alguns dos roteiros, o de O macaco e a essência chama a atenção dos dois e eles resolvem procurar e conhecer o homem por trás da narrativa descartada. Willian Tallis é o escritor, mas os amigos só conseguem chegar a um racho onde Tallis morou por um tempo até sua morte. Então o amigo de Bob, que é o narrador do livro, esclarece para nós leitores (diretamente) que o que vem a seguir é o texto na íntegra de O macaco e a essência, sem alterações.

O livro é dividido em dois capítulos. O primeiro é o que nos apresenta Bob e um pouco sobre Tallis, e é no segundo capítulo que lemos mesmo a história dessa obra de Huxley. Pouco pode ser dito, pois muito pode ser visto como spoiler. É preciso deixar claro o quanto o livro encara assuntos como a terceira guerra mundial (o livro se passa em 2108), radiação (resultado da guerra), tecnologia e como nossos avanços podem ser prejudiciais ao ponto de retroceder nossas ideologias e ações a níveis bastante primitivos (e aqui há a contextualização com o “macaco” do título).

O livro é deveras interessante quando o enredo ganha ritmo já quase na metade do livro. O começo é mesmo lento e até confuso. A escrita é diferente, com os diálogos sem travessões e com as falas que mudam com o uso de aspas (já no primeiro capítulo) e depois com a indicação da hora do narrador e dos outros personagens (no segundo capítulo, que é o roteiro “oficial”). O macaco e a essência é um livro que me deixou com bastante vontade de trabalhá-lo em sala de aula, assim como já fiz com A revolução dos bichos. Mesmo escrito em 1949, a história de Huxley serve como um tapa na cara de uma sociedade que não se cansa de absurdos políticos e bizarrices religiosas.

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O livro foi enviado pela editora

 

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