Resenha – O Menino Arteiro
por Ragner
em 07/07/15

Nota:

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As vezes me surpreendo com algum livro infantil. Trabalho, também, em uma escola de ensino fundamental e me deparo com vários livros com a temática infanto-juvenil. Muitos livros são oferecidos aos estudantes e mesmo não sendo a literatura que me apetece, alguns atiçam minha curiosidade e costumo ter uma grata surpresa ao lê-los. Foi o caso desse que resenho hoje e gostei de tudo, de como foi escrito, ilustrado e da ideia por trás dele.

Alguns infanto-juvenis possuem quase que exclusivamente a temática mesmo direcionada para o público infantil, porém, já me deparei com muitos que extrapolam tal direcionamento e conseguem proporcionar histórias que abarcam conceitos e entendimentos bem maduros. E com o tempo irei falar mais e mais de livrinhos assim.

O Menino Arteiro me fez retroceder alguns anos, me levou lá na época de criança, quando nossa imaginação não parece ter limites ou o impossível era mesmo só questão de opinião e enquanto criança, missões impossíveis parecia algo inato na gente. Acredito que isso role com todas as crianças, pelo menos as que estão mesmo vivas, saudáveis, felizes. E é o que parece o caso do protagonista nessa história. Um garoto capaz de elevar sua imaginação e criar, criar, criar…

um grande artista é um grande homem em uma grande criança – Victor Hugo

As primeiras frases já deixam claro como o protagonista é especial e o especial, aqui, deveria ser referencia. Todos deveriam ser especiais assim, meio diferentes, um tanto quanto artistas, com parafuso a mais ou a menos, cheio de gás e curioso, sem tempo para respostas, mas com grande interesse por perguntas onde ocasionalmente elas chegavam a conclusão embutidas nelas mesmo ou inseridas em contextos que geram mais e mais questões. Mas algumas questões são respondidas apenas vivendo e viver é mesmo uma arte para os que enxergam o mundo como uma eterna novidade.

O menino não parava quieto, estava sempre em busca de novidade para descobrir ou criar aquilo que aparentemente não existia. Não sossegava, sua mente parecia um ‘rodamoinho’ incansável, era astuto, arguto, loquaz, um moleque contumaz, que parecia jamais se conformar com o que estava simplesmente a sua volta. O muito parecia pouco e o demais não era suficiente. Montava, desmontava, juntava objetos, engenhosamente construía engenhocas e divertidamente dava explicações que descomplicavam ou mesmo complicavam o que ninguém entendia.

Esse livrinho me fez ter aquela vontade de voltar a ser criança, refazer todas minhas experiências desastrosas, reviver minhas aventuras descabidas e acreditar muito mais naquele pensamento que diversas vezes é visto como estranho pelos outros ou não é aceito como normal. Mas a normalidade aqui castra o que pode muito bem ser fantástico e por mais estranho que o não normal possa ser, ainda é melhor e mais interessante do que o próprio normal.

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