Resenha – O Nosso Reino
por Juliana Costa Cunha
em 03/09/18

Nota:

O Nosso Reino é o primeiro livro escrito por Valter Hugo Mãe. Foi escrito em 2004 e editado no Brasil pela primeira vez em 2012, pela Editora 34. Aqui no Poderoso, o escritor já teve seu livro O Apocalipse dos Trabalhadores resenhado pelo Bruno.

Benjamin é o personagem narrador desta história. É uma criança, que vive numa cidadezinha afastada da capital, mais especificamente uma colônia de pescadores. O autor não nos informa em que país este lugar se localiza, mas ao longo da narrativa identificamos ser Portugal. Em dado momento o autor faz referência à Revolução dos Cravos e à queda da ditadura Salazarista. Essa referência é feita de forma tão sutil, que só quem conhece um pouco dessa história vai identificá-la no texto.

Benjamin e Manoel são os melhores amigos nesta história e como duas crianças que são fantasiam muito e tentam entender as coisas que vão acontecendo ao seu redor. A colônia tem como religião predominante o catolicismo (mas também aparecem elementos de religiões de matriz africana) e é daí que derivam as maiores fantasias de Benjamin. É através do que é posto pelos adultos enquanto religião e fé e da visão das crianças sobre isso, e também sobre o bem e o mal, que o autor vai inserido questionamentos sobre os rigores da religião e a prática do bem sem olhar a quem (trocadilho infame, mas que expressa bem o que quero dizer).

Em outras palavras, Valter Hugo Mãe através do olhar da criança vai questionando as estruturas da religião católica e a realidade de uma sociedade preconceituosa e machista. As duas crianças, percebendo que entre a teoria e a prática de suas famílias, e da população em geral há muita diferença, se empenham em tornar-se santos para ajudar as pessoas a encontrar o caminho do bem.

É uma boa ideia para uma história, não é? É! E, além disso, temos a escrita poética de Valter Hugo Mãe se desenvolvendo, aquela potência hoje já tão consolidada em transformar palavras em poesia. Mas o livro não me afetou. Sinceramente me senti cansada ao longo das páginas com todas as referências diretas e indiretas à religião e à religiosidade.

Acabou que eu achei o texto muito denso e cansativo. Mesmo considerando muito bacana a proposta do autor em criticar tudo o que estava sendo posto como fé e religião ao logo das páginas, através das fantasias de Benjamin.

Eu tentei gostar deste livro. Fui até o fim dele achando que em algum momento ele me pegaria, mas não rolou. E isso acontece. E também não quer dizer que o livro seja ruim. Quer dizer apenas que comigo não rolou empatia.

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