Resenha – O novo iluminismo
por Bruno Lisboa
em 28/12/18

Nota:

É possível ser otimista nos dias atuais? A resposta pode parecer óbvia. Ainda mais se observamos os noticiários ao nosso redor que, diariamente, persistem em trazer o que há de mal ocorrendo ao nosso redor e de forma, aparentemente, irrefreável.

Mas e se alguém tentasse te dizer o contrário, que estamos por viver nossos melhores dias e que em tese tudo tende a melhorar ainda mais? Soa improvável, mas esta é a premissa que Steve Pinker sustenta em seu mais recente trabalho, O novo iluminismo.

Nascido no Canadá, na cidade de Montreal, Pinker é um dos mais renomados psicólogos dos últimos tempos e seus estudos recentes buscam provar que a humanidade está em franca ascensão e que isto não se restringe a uma área em específico, mas como um todo. Para ele vivemos o que podemos chamar de uma nova era Iluminista, pois novamente a ciência e a busca pelo conhecimento tem tido protagonismo. Este fator faz com que, segundo o autor, nós possamos viver mais e melhor nos últimos tempos para cá.

Dividida em três partes distintas em O novo iluminismo, inicialmente o autor trabalha de forma mais abrangente, partindo das origens do pensamento Iluminista e da sua aplicação na contemporaneidade. No segundo tomo Pinker analise sob vários aspectos vários pilares que sustentam nossa sociedade (saúde, meio ambiente, segurança, ecomomia, entre outros), pontuando (de forma analítica e profunda) os avanços conquistados nos últimos tempos. Já na terceira e última Steve reforça a importância da confluência entre razão/ciência/humanidade e que esta tríade e a grande responsável para vivermos dias gloriosos.     

Por mais difícil que seja imaginar que estejamos nos nossos melhores dias, ainda mais se pensarmos no nosso duro quotidiano, Pinker traz inúmeros dados que provam que estaríamos a viver uma era prospera e com potencial para irmos além. Por mais que às vezes as informações beirem ao hermetismo, tamanha a erudição, na maior parte do tempo o autor atua de forma didática, fazendo com que fique claro que dados como a elevação da nossa expectativa de vida, por exemplo, já é um sinal de que no decorrer dos séculos a humanidade tenha promovido melhorias em várias searas.

Logicamente, Pinker pontua que sabe muito bem que a vida não é fácil, que o ser humano é sempre “flor que se cheire”, mas de forma otimista ele acredita que o ser humano é mutável e que a partir do diálogo conseguiremos alçar voos ainda maiores.

O seu positivismo pode até ser criticado por outros colegas da área, mas em tempos onde grande parte da sociedade insiste em ver somente o copo vazio, Pinker prova que depende de nós (e mais ninguém!) continuarmos a ver esta metáfora de outra maneira.

O novo iluminismo é denso, hermético, palatável, controverso. Tudo em mesma medida. Por isso é deveras importante, não só para compreendermos nossos tempos como também para vislumbrarmos para onde podemos ir se caminharmos juntos.

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O livro foi enviado pela editora

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