Resenha – O Pacto
por Ragner
em 19/04/13

Nota:

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Já tive contato com outro livro do autor, o Estrada Da Noite, mas não o li todo. O que posso dizer sobre ele é que se trata de um livro de terror. Ao comprar O Pacto, imaginei que seria também de terror, mas o livro ia além. Seguiu pela linha de Amor e Ódio com uma temática que foi mesmo interessante.

Imagina você acordar com chifres e com a capacidade de deixar as pessoas que estão próximas extremamente sinceras. Sinceras a ponto de serem até cruéis, sem qualquer pudor ou arrependimento. Imaginou? Então pode ler O Pacto sem estranhamento, pois Joe Hill escreve com impacto, sem falsas convenções e sem recato. Seu linguajar é direto e consciente. Sua escrita conduz a trama de forma clara sobre a intenção do enredo: um livro que trabalha a condição do terror de forma irônica e escancara algumas mazelas da raça humana. O terror aqui não produz medo, mas deixa óbvio as falsas construções de bondade e equivocadas relações hipócritas de crença.

Quem é quem quando a verdade inegável vem a tona? Quando a sinceridade pode machucar mais do que fazer o bem e o que na verdade é fazer o bem ou ser bom? Como agir quando se vê rodeado de pessoas que pensam e falam mal de você e seu único conforto é ser o diabo?

Ignatius é um cara pacato e que aparentemente tem boa índole, mas depois de acordar de uma bebedeira e com “chifres” nascendo em sua testa, vai descobrindo que todos à sua volta são pessoas que querem o seu mal, o odeia e durante anos mentiram para ele. A pessoa que Ig mais amou foi assassinada de forma brutal e o principal suspeito sempre foi ele, mesmo depois de conseguir ser inocentado, muitos tinham certeza de que ele matou a namorada Merrin, menos seu irmão, que sabe quem é o verdadeiro assassino. Mas nunca disse.

Ig vai se deparando com sentimentos horríveis, com revelações terríveis, mas também vai conseguindo e aprendendo a entender e desenvolver melhor sua nova característica. “Quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.” Se é esse o caminho que aparece à sua frente, nada mais a fazer se não prosseguir e fazer o máximo que puder com o que tem.

O desenrolar do livro vai mesclando presente e passado. Os personagens são apresentados de cara, somos introduzidos à vida de Ig, sua família e amigos e podemos saber quem é quem. A história já começa como se estivéssemos no meio de toda a trama, com tudo já acontecendo sem entendermos muito bem, mas os capítulos seguintes se encarregam de explicar quem é quem, quem é Ig, como Merrin entrou em sua vida e como tudo foi acontecendo até o pior dia de sua já não tão perfeita existência.

Acredito que o livro não é para qualquer leitor, é preciso aqui gosto por uma literatura mais adulta, violenta e explícita, bem diferente dos livros da moda atualmente, mas é muito bem escrito e chama a atenção. Com um enredo nada convencional e que pode nos fazer refletir sobre questões humanas de relacionamento e confiança.

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