Resenha – O pescoço da girafa
por Thiago
em 20/07/16

Nota:

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O pescoço da girafa é um livro que eu queria ter gostado, mas infelizmente não foi bem assim. Explicarei meus argumentos abaixo, mas antes uma breve sinopse:

O pescoço da girafa é uma crítica ao ambiente escolar, a vida competitiva e a ideia de que os mais “fortes” sempre serão mais facilmente reconhecidos. O livro gira em torno da professora de biologia Inge Lohmark, do colégio Charles Darwin, na Alemanha Oriental. Nos é apresentada a visão de mundo desta senhora, as questões políticas da unificação da Alemanha são ponto importante aqui. A professora olha para a comunidade escolar, principalmente para os alunos trazendo a ideia de darwinismo social (como não gosto e não concordo com esta ideia, isto contribuiu para minha relação ruim com a história), ou seja, usando a mesma lógica da adaptabilidade da teoria da evolução das espécies de Darwin para compreender seus alunos. O problema é que esta proposta contribuiu e muito com ideias eugênicas e racistas.

A autora do livro é Judith Schalansky, uma jovem alemã de 36 anos. O pescoço da girafa foi seu primeiro livro traduzido para o inglês. Aqui ela tenta utilizar de uma ironia excessiva que para muitos leitores pode ser entendido de maneira diferente.

 

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Sobre os pontos que não gostei no livro:

O primeiro é o contexto cultural: talvez para realidade alemã e de outros países da Europa o livro tenha outro tom. Não digo que a proposta base da história nos é completamente estranha, a analogia darwiniana para o ambiente escolar é compreensível, não gosto muito dela, a acho muito fria e desconsidera detalhes acerca da vida de cada aluno.

O segundo é a própria narrativa: muito cansativa como a personagem principal, a idosa professora Inge Lohmark. Parece que é a própria professora falando, amarga, enfadonha, infeliz. A narrativa se arrasta entre as metáforas sobre a escola e o mundo animal e sobre o sistema escolar na Alemanha oriental.

O terceiro é já um tanto quanto pessoal: na verdade percebo que meus textos aqui muitas vezes são mais sobre o que os livros que leio despertam em mim e o que me fazem sentir, do que realmente uma crítica. Não sei se é algo ruim ou bom. Com 32 anos, já faz uns 12 que comecei a lecionar e entendi muito bem a senhora Lohmark. Aliás em alguns momentos me reconheci nesta personagem, e isso me fez parar de ler este livro algumas vezes, até parar de escrever este texto algumas boas outras vezes. Não quero me reconhecer nesta personagem amargurada, não quero me deixar ser pego pela descrença na minha profissão, mas parece inevitável. O sistema educacional, seja aqui ou até mesmo na Alemanha nos desgasta, não podemos negar. Amo muito o que faço, sou feliz em sala de aula, respeito e tenho muito carinho por todos aqueles que foram ou são meus alunos, entretanto já diversas vezes pensei em parar, duvidei e duvido se é o que realmente quero.

A instituição escolar mina e aliena seu profissional, já vi várias senhoras (e senhores) Lohmark na vida, pessoas que foram corroídas por um sistema capenga (e sim, tenho medo profundo de me tornar uma senhora Lohmark). Este livro deixa claro que a ideia de valorização do professor não é uma questão meramente financeira, é bem maior que isso, está ligado a sua relação com o ofício. O professor precisa crer no que faz e na instituição em que está inserido.

De todo o livro não é ruim, mas trouxe para minha experiência de leitura coisas não agradáveis por pontos pessoais, pra vocês pode ser completamente diferente.

Boa leitura a todos.

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Livro enviado pela editora

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