Resenha- O peso do pássaro morto
por Juliana Costa Cunha
em 16/07/18

Nota:

“O peso do passáro morto” é o livro de estreia da escritora paulistana Aline Bei (1987), editora e colunista do site OitavaArte. Mas antes de lê-lo eu preferi não buscar muita informação sobre a moça. Talvez faça isso agora, pra ver se fico mais íntima dela. Porque depois de ler o seu “O peso do pássaro morto” foi esta a vontade que ficou. Cheguei a este livro através de postagens de outras pessoas queridas que sigo e que tenho como referência de leituras no Instagram. Daí que falei com a Aline e depois de um tempinho o Pássaro alçou voo e veio bater no Recife.

Dos 8 aos 52 anos vamos acompanhando a personagem principal e narradora da história. Menina, adolescente, adulta. Sem nome. O período narrado de sua infância, entre descobertas e perdas nos remete ao olhar da criança. Sentimos suas alegrias e tristezas. Sabemos que entende e se entristece com os acontecimentos. Mas ela é uma criança e crianças arrumam formas bem particulares de compreensão e superação.

É na sua infância que a personagem tem sua primeira grande dor e perda na vida, que faz com que ela perca a crença nos processos de cura. E daí em diante entendemos que esta cura pode ser para a dor, para as perdas e para os vazios da vida. É também neste primeiro momento de perda que surge um personagem que, para mim, divide a história em três pontos marcantes: um cachorro. É um cachorro que lhe causa a primeira grande perda. É um outro cachorro que lhe resgata para a vida. E é a ausência deste mesmo cachorro que a faz desistir de tudo.

Entre os 17-18 anos a personagem passa por uma dor física e emocional fortíssima que vai mudar todo o rumo de sua história. Ela decide enfrentar tudo sozinha; não contar nada a ninguém e seguir adiante. Passa o resto da vida tentando encontrar seu lugar, sua paixão pela vida e a força para contar tudo ao filho. Ela procura também a cura para uma relação complicada com o filho, sem contudo conseguir expressar o motivo de tanto distanciamento. E é nessa relação com o filho que a morte de alguns pássaros rompe de vez com o pouco de intimidade que há entre eles.

O momento em que esta personagem tenta ir ao encontro do filho (literalmente) e no percurso encontra um cachorro grande no posto de gasolina, é muito simbólico. É este cachorro,  que vai receber o nome de Vento, que vai mudar o curso de sua vida de novo aos 37 anos e lhe dar novos ares! A vida ganha novo fôlego de novo quando aos 48 ela percebe que pode se desgarrar de uma história que nunca quis viver.

Mudança de ares. Mudança de casa. Um certo retorno à casa da infância, com quintal e muitas plantas. E Vento por companhia. Dos 49 aos 52 anos, finalmente, a brisa da calmaria, do (re)encontro consigo mesma, da risada solta com Vento se torna possível.

Eu terminei a leitura desse livro abraçada a ele. Literalmente. Me emocionou muito. A forma como ele é escrito, um romance em forma de poesia, numa linguagem contemporânea e cheia de afeto, foi um dos fatores dessa emoção. Outro aspecto é o livro ser dividido cronologicamente ressaltando que nos anos mais difíceis de sua vida essa temporalidade nos capítulos é bem curta, dando vasão aos ciclos de nossas vidas: às vezes mais longos e, em outros, avassaladores.

É um livro com uma história triste, porém escrito de forma poética e afetiva. Mais um livro que vai sempre ficar por perto, para que eu possa reler, enquanto espero o próximo livro da autora!

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