Resenha – O Prisioneiro Do Céu
por Ragner
em 22/03/16

Nota:

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Minha empreitada com o escritor Carlos Ruiz Zafón já passou por O Príncipe Da Névoa e A Sombra Do Vento, e como gostei um bocado do que já li, não tive dúvidas em adquirir mais livros (a Sombra Do Vento faz parte de uma trilogia e O Príncipe Da Névoa também vem em um box com mais dois livros que ainda não sei se possui conexões). Ambas coleções enveredam por histórias de mistério e um pouco de suspense. Nada que cause tanto medo, mas é capaz de mexer com nosso imaginário. Zafón tem se mostrado um mestre do obscuro e sua narrativa conduz tudo como se fosse possível existir tais situações sobrenaturais. Isso é para poucos, bem poucos.

Em O Prisioneiro Do Céu, reencontramos Daniel Sempere e Fermín Romero de Torres anos depois dos acontecimentos de A Sombra Do Vento. Daniel está casado com Bea, são pais de um menino e moram com o pai de Daniel em um apartamento em cima da livraria Sempere e Filhos. Fermín continua trabalhando com a família Sempere e é noivo de Bernarda (Bea e Bernarda também são personagens do livro anterior). É época de natal, a livraria não passa por bons tempos, qualquer venda é mais do que providencial e quando um cliente de aparência estranha adentra a loja perguntando sobre um exemplar raro de O Conde De Monte Cristo, Daniel fica intrigado com ele. Após o tal visitante comprar o livro, deixar uma dedicatória para Fermín e ir embora, Daniel sente um desassossego que o faz seguir o desconhecido e tentar descobrir o que ele tem a ver com seu amigo, mas o que consegue é encontrar mais perguntas do que respostas.

O pai de Daniel tenta ao seu jeito incentivar as vendas dos livros, Fermín demonstra seu lado cético e Daniel tenta fazer com que o clima na loja seja de otimismo. Depois de conseguir conversar com Fermín e entrega-lo o livro que o estranho deixara, percebe o amigo bastante incomodado, pergunta de quem se trata e qual a relação que há entre os dois, porém Fermín se nega a responder. Durante uma arrumação de casa, Daniel acaba descobrindo coisas que também podem atrapalhar sua própria vida: uma carta de amor um ex-pretendente de Bea. Entre uma conversa e outra com Fermín, sobre a loja, a carta que o atormenta e ambos se abrirem um pouco, Fermín conta um pouco sobre sua aflição e esclarece que está em um encrenca da qual não sabe como sair. O livro passa então a contar um pouco sobre a história do próprio Fermín, e podemos entender um pouco como seu passado lhe é penoso e o quanto sua relação com o estranho o deixa preocupado. Isso sem esquecer também que Daniel tem seus próprios problemas.

Zafón cria um clima intrigante e instigante ao proporcionar ao leitor dados sobre a história de alguns personagens. Aqui ele conta um pouco sobre o passado de Fermín e como traumas do passado podem afetar escolhas presentes. Como em outros livros, tudo flui com um certo ar de mistério, que ganha força com a atmosfera nebulosa de uma Espanha pós guerra. Zafón me conquista mais uma vez com sua escrita que beira o clássico em certas partes (menos aqui e mais em A Sombra) e cativa no desenvolvimento direto do que verdadeiramente importa durante a trama.

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