Resenha – Orgulho e Preconceito
por Gabriel
em 25/07/15

Nota:

Orgulho e Preconceito

Há muito queria conhecer o maior clássico de Jane Austen. Uma de suas obras já passou por aqui, mas pelas mãos da Paty. E finalmente o fiz durante o último mês. Li Orgulho e Preconceito em Inglês, em edição para Kindle obtida no Project Gutenberg, que digitaliza obras de domínio público.

A primeira coisa que se deve ter em mente ao iniciar essa leitura é o seu contexto histórico de início do século XIX. Ou o leitor corre o risco de parar na primeira frase:

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa.

Sim, você leu isso. Eu também li. E a ironia de Austen nessa frase dá o tom do que a obra retrata: apesar de ser o homem que precisa de uma esposa, todo o roteiro se passa em meio à busca do Sr. e da Sra. Bennet por maridos para suas filhas, consideradas não muito mais do que isso: seres que devem se tornar atraentes a homens com fortunas. E nesse meio é que se insere Elizabeth, segunda mais velha das cinco moças Bennet.

Elizabeth Bennet é descrita como uma moça atraente porém muito perspicaz e determinada para o que os padrões da época consideravam aceitável a uma mulher. A chegada do senhor Bingley à sua pequena cidade rural movimenta os moradores, que se referem frequentemente ao dinheiro que o cavalheiro tem e fazem conjecturas quanto a quem será sua escolhida.

Os bailes colocam Bingley em contato com Jane Bennet, a filha mais velha da família, que parece lhe atrair. E apresentam à cidade o seu melhor amigo, o senhor Darcy. Darcy ganha a antipatia imediata de Elizabeth com seu ar orgulhoso, que o leva a rejeita-la para uma dança. E se inicia um antagonismo entre os dois quando sua convivência é forçada por um período de doença de Jane. O orgulho de Darcy e o preconceito de Elizabeth dão nome à história e ocupam boa parte do roteiro.

O estilo de escrita de Jane Austen é carregado para os padrões atuais, como se espera de uma obra com 200 anos. Mas o romance que a autora criou, cheio de reviravoltas e conversas marcantes, é extremamente atemporal e impressiona por isso. Ler a versão original em inglês requer bastante atenção para não se perder nos detalhes. Confesso que na primeira metade houve momentos em que fiquei com preguiça de seguir a leitura; mas os ganchos que começam a surgir da metade em diante prendem qualquer leitor.

Austen produziu um clássico eterno em pleno início de século XIX, na casa de seus pais. Livros tão influentes e diversos nos dias de hoje como O Capital no Século XXI a citam. Descontados os privilégios e condições específicas que a levaram a conseguir faze-lo, é um feito de vida impressionante. Num mês que nos brindou com declarações de escritores brasileiros dizendo que “não existe literatura feminina”, conhecer a obra de Jane Austen nos recorda de que há pessoas que se dedicam a faze-la existir.

Orgulho e Preconceito é um livro fundamental para reais amantes da literatura e/ou de romances e também serve como incrível retrato de uma sociedade centrada no dinheiro, na imagem e em valores questionáveis; uma sociedade ao mesmo tempo distinta da nossa, mas muito parecida. Recomendadíssimo.

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