Resenha – Os livros que devoraram meu pai
por Patricia
em 11/08/14

Nota:

Unknown

Esse foi um livro que comprei num daqueles impulsos de 3-4 reais por livro ajudado por um título interessante. Além disso, não sabia mais nada nem sobre o autor, nem sobre o livro. O que é bem padrão quando passo o olho pelas minhas estantes. Nesse caso, o que tive foi uma agradável surpresa.

“Os livro que devoraram meu pai” nos apresenta Elias Bonfim, um jovem de 12 anos que acabou de ter acesso à biblioteca que seu pai mantinha no sótão (sonho!). Aparentemente, é uma biblioteca incrível já que seu pai não era apenas um colecionador, mas um leitor voraz. Ele chegava ao ponto de levar um livro escondido para o trabalho e ao invés de fazer uma planilha, ele disfarçava e lia livro atrás de livro. Quem nunca?

Um belo dia, ele sumiu n’A ilha do Dr. Moreau. Todos achavam que ele tinha tido um enfarte, mas Elias sabia que ele tinha entrado na Ilha e nunca mais saiu. Bons livros fazem isso com a gente (eu demorei uma eternidade para conseguir sair de Macondo). Agora que tem acesso aos livros, Elias segue os passos literários do pai e quando pega a obra prima de H.G. Wells para ler, ele descobre anotações de seu pai que o levam ao Dr. Zirkov.

É aqui que o livro ganha um aspecto encantador – Elias vai falar com o Dr. Zirkov e descobre que o Dr. estava cuidando de um cachorro que havia sido deixado por um paciente que jurava que….estava virando um cachorro. Para Elias, a conclusão era óbvia: o cão ERA o paciente que estava certo em seu diagnóstico amador. Segundo o Dr., o paciente – Sr. Prendick – jurava que era o resultado de uma experiência do Dr. Moreau que deu certo. Elias adota o cachorro e vai continuar sua investigação.

Esse tom de fantasia começa a permear o livro com mais intensidade. Logo depois, ele descobre que seu pai estava empolgado com um certo Stevenson (velho de guerra do Poderoso já). Quando lê O médico e o monstro, ele começa uma conversa interessante com o Sr. Hyde (o monstro). Aqui recebemos uma dose impressionante de pensamentos profundos sobre o certo e o errado, com direito a citação da Bíblia e tudo o mais. O Sr. Hyde conheceu, sim, o pai de Elias mas eles não se deram muito bem. O sr. Bonfim queria saber se era Hyde quem andava matando personagens importantes nos romances.

A idéia de que todos os personagens de romances moram juntos no mesmo universo paralelo e se conhecem, me divertiu bastante.

Hyde avisa que não é ele, mas sim o personagem principal de Crime e Castigo que não tem a mínima noção das coisas (esses russos!).  Seu pai, portanto, estava no encalço do assassino para evitar que mais personagens morressem. Uma causa justa. Elias vai atrás dessas dicas e segue em direção a Crime e Castigo. Com seu cachecol, ele embarca para São Peterburgo e, de lá, para Vladvostok.

O livro todo mistura leves histórias da vida real de Elias (seu tempo com a mãe e a avó), com essa busca imaginativa de Elias pelos livros. Toda a metáfora para um menino que perdeu o pai jovem e agora busca encontrá-lo pode ser clichê, mas é feita de uma maneira tão adorável que esse é o tipo de livro que vai fazer qualquer leitor mais experiente sorrir em certos momentos. É considerado um livro jovem/infantil e acho que novos leitores vão se deliciar com Elias e, mais, se são leitores vorazes vão encontrar um parceiro.

Não ter lido os livros mencionados não atrapalha em nada o acompanhamento da história e, quando necessário, o autor entrega um breve resumo da obra citada. As referências são incríveis, tudo flui perfeitamente e em exatas 111 páginas, Afonso Cruz me deixou totalmente encantada. Lembrei da época em que eu criava listas de possíveis assassinos para os livros de Agatha Christie, ainda que nunca conseguisse definir o culpado, e até planilhas montei para saber exatamente quem era quem na família Buendía (muito complexo de acompanhar). Isso é estar imersa em um livro. E é uma coisa linda. É muito agradável pensar em mais e mais crianças/jovens (já passei dos 25 e não sei como eles são chamados hoje) sentido a mesma excitação para ler. É um livro para se ler em um dia de inspiração elevada.

Usamos muitos a expressão “devorar um livro” para marcar aquelas obras que não conseguimos largar. Foi muito divertido pensar na hipótese de o livro estar nos devorando, prendendo o leitor a ele como se tivesse vida própria e destino certo.

Entrou na minha lista de preferidos – o segundo do ano a conseguir esse feito. Vale a leitura com gosto.

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11 Comentários em “Resenha – Os livros que devoraram meu pai”


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danilo em 18.01.2015 às 12:23 Responder

estava eu digitando uma pesquisa no site de buscas e ao digitar “os livros” me apareceu este título intrigante e como você fiquei curioso em lê-lo mesmo sem conhecer nem livro, nem autor. Encontrei seu resumo e fiquei mais ansioso pela chegada deste novo companheiro (solicitei pela internet).

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Paty em 18.01.2015 às 14:49 Responder

Olha, comprei sem esperar muita coisa e foi uma agradável surpresa. 🙂
Depois volta para contar se gostou também.

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Danilo em 25.01.2015 às 01:11 Responder

olá paty.
chegou ontem, maravilhoso… devorei-o em minutos. Uma história linda, pela sua delicadeza e profundidade com a qual se trata a complexa natureza humana. E os livros citados, já serão minhas próximas aquisições.
Apesar de fisicamente ser um livro pequeno nos proporciona horas de degustação.

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Paty em 25.01.2015 às 09:24 Responder

Oi Danilo, fiquei tão feliz que vc tenha gostado do livro! Tenho indicado ele para muitas pessoas, mas nem todo mundo parece compreender a profundidade dessa história. 😀 Obrigada. Seu comentário me deixou muito feliz porque gosto muito quando as pessoas dão chance a livros que parecem nada e estão abertos a surpresas. 😀

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Danilo em 25.01.2015 às 20:28 Responder

Olá Paty.
Agora ler meus pendentes, As máscaras de Deus – mitologia primitiva de Joseph Campbell, Realidades Adaptadas de Philip K. Dick e Os três de Sarah Lotz. O blog já está nos meus favoritos. Parabéns a vcs, em especial a vc, Paty, suas resenhas me passam uma sensação muito agradável.
Obrigado pelo tempo dispensado a nós leitores.
Ótima semana.

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Larissa em 30.03.2016 às 19:34 Responder

Adorei o resumo ,peguei o livro para fazer uma redação na escola,e adorei o resumo ,apesar no teste ser amanhã e eu ainda nn li o livro,esse resumo me ajudou ,bjs,vlwuuu! :3

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Patricia em 31.03.2016 às 08:54 Responder

Pode usar como quiser. Mas vale a pena ler o livro, viu? É uma delícia de livro. 🙂

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Leticia em 07.05.2018 às 08:53 Responder

Esse livro é maravilhoso,estava lendo no Colégio.História incrível cada dia ficava mais curiosa para saber oque iria acontecer com Elias Bonfim.
AMEI ELE😍

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Patricia em 07.05.2018 às 09:47 Responder

Sim!!!! Achei tão lindo e bem escrito. Não esperava nada disso quando peguei para ler, mas é maravilhoso. 🙂

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Jess em 08.09.2018 às 10:26 Responder

O seu resumo so vai ate a metà do livro

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Patricia em 08.09.2018 às 12:42 Responder

É uma resenha que é uma opinião sobre o livro, não um resumo completo na obra.
Abs.


 

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