Resenha – Os meninos do Brasil
por Patricia
em 08/04/13

Nota:

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Pela capa do livro você já pode adivinhar um dos elementos da história né?! Sim…nazismo. O livro se passa em 1974 – auge da Ditadura no Brasil e numa época em que se acreditava que o nazismo havia morrido com Hitler. Claro, isso é impossível. Ódio demora muito para sumir.

A história começa em um restaurante japonês em São Paulo onde homens de sobrenome brasileiro – mas que logo descobrimos que são alemães – se encontram para organizar uma missão assombrosa: 94 homens em quase todo o hemisfério norte devem morrer nos próximos 2 anos para viabilizar o retorno na raça ariana.

A reunião é conduzida por um personagem de porte e descobrimos que ele era o médico responsável por Auschwitz – Dr. Mengele. Toda a conversa é gravada por uma garçonete paga por um detetive americano que suspeita que alguma tramóia alemã mas ainda não sabe o nível do problema em que se meteu. A história começa a se desenrolar rapidamente a partir daqui. Os alemães descobrem a gravação e começam a caçar esse detetive que está tentando impedi-los, mas o encontram tarde demais – o detetive entrega as informações (ainda que primárias e desconexas) para Yakov Liebermann – um judeu que perdeu toda sua família na guerra e ele próprio ex-prisioneiro de Auschwitz. Depois de sobreviver ao impensável, Liebermann dedicou sua vida a encontrar nazistas e trazê-los à justiça recebendo o apelido de “caçador de nazistas”.

Ira Levin não deixa tempo para o leitor respirar muito e nem para pensar na vida.

Enquanto Liebermann tenta desesperadamente saber se o plano vai realmente acontecer, como e porquê; acompanhamos os alemães em ação; homens começam a morrer mas ainda não sabemos qual a intenção nazista além de ressuscitar o Reich (e pode acreditar que quando fica essa intenção fica clara, a idéia é totalmente assustadora). Quando o quebra-cabeças começa a fazer sentido a gente percebe o quanto Levin construiu uma ótima história que vai além de mocinhos e vilões usando os dois extremos mais pertinentes da História.

Essa foi uma das primeiras obras que tratou do tema de clonagem humana (e não, não é necessariamente spoiler porque tem muito mais do que apenas isso no livro). O tema é abordado de maneira excelente e acrescenta ao suspense da história a cada palavra. A escrita de Levin é muito boa e ele consegue guiar o leitor pela história ressaltando os momentos nervosos com talento. Além disso, ele aproveitou um tema interessante na época e junto todos os elementos necessários para criar algo realmente interessante apesar de ser ficção – o que é difícil porque, normalmente, autores que criam ficção de guerra tendem a usar um enredo mais…emotivo.

Liebermann pode ter sido inspirado em Simon Wiesenthal – na verdade, pela similaridade das história é quase garantido que Wiesenthal seja a fonte de criação para Liebermann. Dr. Mengele realmente existiu e conduziu alguns dos experimentos mais terríveis em Auschwitz – a maioria com foco em determinar a possibilidade de criar uma raça pura (algo que está no cerne do livro).

É uma leitura mais do que agradável. Como fã de histórias de guerra, eu mal conseguia encostar o livro. Ele traz ainda outros elementos que me ajudaram a aceitar melhor uma leitura de ficaçao científica, por exemplo, provando que um livro não precisa ser apenas uma coisa. Vale seu tempo. 😉

Os meninos do Brasil foi adaptado para o cinema em 1978. O filme está disponível no youtube com uma qualidade duvidável e dublado:

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1 Comentário em “Resenha – Os meninos do Brasil”


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Sérgio Monteiro Aló em 30.07.2014 às 17:06 Responder

O livro vale a pena ler, realmente para pessoas que gostam dos assuntos de guerra e da guerra vão se entreter bem com este enredo.


 

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