Resenha – Os sete enforcados
por Patricia
em 19/06/13

Nota:

os sete

Conheci esse livro através de um vídeo da Patrícia Pirota do AindaMininaMá. Ela comentou sobre o livro e duas coisas me chamaram a atenção: esse é um russo de quem nunca ouvi falar e Fernando Sabino faz a apresentação.

Como se pode imaginar, o livro trata de enforcamentos e pena de morte. Andreiev nos situa em uma Rússia destrutiva, isolada e cruel: “Em suas brincadeiras, crianças encontram corpos mal enterrados, e as pessoas contemplam com horror as botas dos camponeses que surgem à flor do chão; os carrascos que levaram a cabo essas execuções estão enlouquecendo e sendo conduzidos para sanatórios – e não raro enforcados também.”

Começamos com uma trama terrorista para assassinar o Ministro (não sabemos o nome ou o que exatamente ele faz). No dia seguinte, às 13:00 sabem que haverá um atentado e a polícia organiza uma emboscada para prender os criminosos. Apesar de sentir-se a salvo, o Ministro tem seu senso de segurança abalado e começa a enlouquecer pensando o quão próximo chegou da morte. Ele tem alucinações e começa a perder a razão.

A emboscada funciona e cinco terroristas são presos, julgados e condenados (a rapidez de um julgamento sem processos claros é realmente impressionante) a pena de morte. Três homens e duas mulheres com idades que vão de 19 a 28 anos devem ser enforcados assim que for conveniente – o Governo gosta de formar grupos para que o enforcamento seja mais rápido e atraia mais atenção.

Ahh, Governos!!

Cinco terroristas e mais dois foras da lei estão na fila de enforcamento porque o Governo acredita que assim deve ser. O autor não entra em muitos detalhes sobre julgamentos e o sistema em si porque nada disso importa. Eles serão enforcados e pronto, não há recursos, debates e indignação que vá mudar isso. O livro é uma profunda análise sobre a morte e sobre como a sua certeza afeta cada um de maneira diferente. Alguns focam no lado heróico de se morrer por algo no qual se acredita, outros têm medo de sequer pensar no assunto, alguns não se importam e assim por diante.

Não importa de que lado se está, a morte é uma das coisas mais democráticas que podemos conhecer. Ela chega para o rico, o pobre, o estudado e o ignorante. Ela não faz nenhuma distinção entre cor da pele e estilo do cabelo. Pode ser um assunto assustador para alguns, mas Andreiev faz com que não seja absurdo pensar nisso. Ele mesmo diz que “tanto a Vida quanto a Morte eram visíveis ao mesmo tempo.”. Ou seja, não há um sem o outro. E quanto mais nos aproximamos da segunda, mais a primeira se torna atraente.

Quando vi que esse livro fazia parte do selo Rocco Joven Leitores, me preocupei. Normalmente, autores russos são difíceis de ler e interpretar e lê-los no momento errado pode ser traumatizante e fazer com que os novos leitores se assustem com esse tipo de leitura. Mas Andreiev está bem colocado aqui. Ele escreve de maneira simples e não é prolixo. Então novos leitores podem ler seus livros sem susto .

A diagramação do livro ajuda na fluidez da leitura.

IMG_1741

Andreiev foi uma ótima descoberta e só não ganhou mais estrelas porque acho que poderia ser mais longo desenvolvendo mais as mortes e os pensamentos que as acompanham – eu queria mais. Como quero conhecer mais autores russos e tentar ler esse tipo de literatura com mais frequência, ele se tornou uma opção muito viável. Com uma escrita leve ainda que o assunto não o seja, Andreiev nos faz pensar naquilo que queremos ignorar quase como uma mãe que quer explicar para o filho algo sobre um assunto delicado.

Postado em: Resenhas
Tags: , , ,

1 Comentário em “Resenha – Os sete enforcados”


Avatar
Itamar Alves Machado em 01.06.2015 às 12:46 Responder

Sem comentários. Esse é um dos melhores livros que já li. A Russia e o Brasil são incrivelmente parecidos.


 

Comentar