Resenha – Ouça a canção do vento / Pinball, 1973
por Bruno Lisboa
em 17/01/17

Nota:

Haruki Murakami é um escritor e tradutor japonês que conquistou fama e premiações no decorrer de seus mais 30 anos dedicados a profissão. Romances como Caçando Carneiros, Norwegian Wood 1Q84 (já resenhado no Poderoso não uma, mas duas vezes) são algumas das obras mais celebradas do autor que tem grande parte de seu catálogo lançado no Brasil via Alfaguara. Seu último rebento, também impresso por estas bandas, foi O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação (2014) e a editora, aproveitando da boa recepção das obras do autor em terras brasileiras, lançou seus dois primeiros trabalhos que até o ano passado permaneciam inéditos por aqui.

Ouça a canção do vento Pinball, 1973 fazem parte do que Haruki chamou de quadrilogia do Rato, pois tem como elemento o personagem coadjuvante assim intitulado. Ambas tem como elemento comum o olhar para o quotidiano de forma agridoce, utilizam de uma linguagem simples, universal, direta e poética. Porém, cada um transita por gêneros literários diferentes. O primeiro, lançado originalmente em 1979, é uma romance realista tradicional e o segundo tem ares surrealistas.

Como o autor antecipa no prefácio das obras, ambos fazem parte do que ele chama de “romances na mesa de cozinha”, pois foram construídos durante a sua juventude, período em que estudava e era dono de uma bar de jazz.  A música aliás cumpre papel fundamental neste livro e para tanto, foi montada uma playlist pela editora para acompanhar a leitura (ouça aqui).

Tal como Este lado do paraíso, obra inicial de F.S. Fitzgerald, Ouça a canção a canção do vento (título inspirado a partir da última linha do conto “Shut a final door” de Truman Capote) é um romance de formação que tem como ponto central um estudante que retorna ao sua cidade natal nas férias veraneias nos anos 60. Estando lá o narrador aproveita passar horas a fio num bar local onde rememora junto ao seu velho amigo Rato (um rico outsider que renega a sua fortuna e vive de maneira desregrada) suas aventuras, amores e amizades que acabam por guiá-lo numa reflexão acerca da vida e a finitude da mesma.

Já Pinball, 1973 é descrita pelo próprio narrador como um “um romance sobre fliperama”. Tal como o jogo que o inspira, se a primeira obra segue um formato linear temporal a segunda segue um formato oscilante, por vezes desconexo, alternando capítulos entre o narrador, agora um tradutor, e o Rato. O primeiro vive de modo surrealista numa casa com gêmeas misteriosas e tem como paixão o jogo das bolinhas. Quando ao Rato, o mesmo vive um romance as escuras com uma arquiteta, mas está preso a sua cidade e vê nisso um abismo para seguir em frente. Novamente temos reflexões  sobre a vida, principalmente quanto ao rumo que se deve tomar a partir do momento em que se reconhece a velocidade do tempo.

Ouça a canção do vento Pinball, 1973 podem ser considerados como trabalhos menores do autor já que muitas das reflexões que o mesmo promove são discutidas de forma breve e sem o peso devido, mas a partir deles Murakami pavimentou o caminho que o levaria ao estrelato.

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O livro foi enviado pela editora.

 

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