Resenha – Palafitas
por Juliana Costa Cunha
em 23/09/19

Nota:

Luiza é maranhense e em sua poesia deixa evidente a forte ligação com suas raízes. Infância, cidade onde morou, família, dificuldades do dia a dia, moradia, luta. Sua poesia remete ao cotidiano difícil de sua trajetória até se formar em contabilidade e ir morar em Teresina – Piauí.

É uma poesia que traz a tônica da segregação social, perpassada de lirismo e, também, daquelas pessoas colocadas à margem – amantes, boêmias(os), libertinas(os). Traz uma poesia popular, que dá voz às pessoas invisibilizadas.

Sobrevivente de mim

Esta poeta que sobrevive

em mim, anda por sobre

brasas com a ilusão de que

as cinzas da solidão não queimam.

Pega sua licença e faz dos

sonhos, a alvorada; do

amanhecer, a madrugada.

Pisoteia o lixo;

desconstrói o luxo.

Esta poeta

conjugada em

sua palma, em

seu fluxo.

Ao ler suas poesias, me vi com alguns sorrisos no rosto. Sua construção poética é circular, sem no entanto se repetir. Sua prosa se mistura com metáforas. Faz uso de palavras fortes para identificar sua poesia com o não dito. É uma poesia humana, para o belo e também para aquilo que se esconde.

Fórceps

Tirem-me o céu,

Deixem as asas.

Com elas conduzo léguas

Aos cômodos do meu casulo.

Tirem-me as armas,

Deixem a coragem.

Com ela enfrento

A fome

Os vermes

As asperezas da vida

Tirem-me a boca,

Deixem as palavras.

Com elas, rezo as súplicas,

Planto asas.

***

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