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Resenha – Papai punk
por Bruno Lisboa
em 23/05/18

Nota:

Eu costumo dizer que a paternidade é o ato mais punk do mundo! Afinal não há nada mais revolucionário do que dar a luz e criar uma criança no mundo turbulento de hoje.

Escrito por Jim Lindberg, vocalista do Pennywise (banda essencial do punk/harcore norte – americano), “Papai punk” é o retrato fidedigno das agruras de ser pai numa sociedade onde devemos diariamente enfrentar toda a forma de autoridade. Que, em alguns casos, pode ser você mesmo…

Lançado pela Belas Letras, “Papai Punk” foi editado pelo Marcelo Viegas e tem prefácio assinado por Rodrigo Lima do Dead Fish, banda icônica do hardcore brasileiro.

Escrito de forma descontraída, Lindberg fala com propriedade sobre as alegrias e desventuras da paternidade. Quebrando o paradigma do “rockstar”,  Jim é um autêntico pai responsável que participa de todo o processo de criação da criança, atuando de maneira diferente ao que estereótipo que a profissão de músico poderia erroneamente ser relacionada.

Por mais que inicialmente a obra possa soar distante da nossa realidade brasileira (Jim mora em Los Angeles, Califórnia), o autor dessacraliza a “profissão” pai trazendo à tona toda uma gama de experiências que acabam por se revelar de cunho universal, ou seja, se você não passou ainda com a(s) sua(s) criança (s), irá passar com absoluta certeza. A identificação é tamanha que cheguei a me ver em diversos momentos ilustrados no dia a dia ao lado da minha pequena (Olívia), agora com 2 anos.

Quem espera aqui uma biografia sobre o Pennywise pode ficar decepcionado já que o enfoque é vida doméstica, mas por um outro lado, o livro tem em si uma enorme carga de reflexão sobre o papel da paternidade, principalmente relacionada ao intuito de fazer deste mundo um lugar melhor para as novas gerações. Esta ideologia é refletida nas composições da banda que apostam em combater o sistema opressor em que vivemos.

De forma complementar, vale também assistir ao documentário The other F word, lançado em 2010 e inspirado no livro. O mesmo traz à tona histórias de outros papais punk, mas foca no quotidiano de Jim Lindberg que na época chegou a abandonar a banda em prol de estar mais próximo a família.

Em tempos em que o machismo ainda impera nos lares, Papai punk é um belo exemplo de como nós homens devemos nos comportar ante a paternidade. Afinal, não cabe aceitar que é papel somente da mãe criar a criança. Relegar ao homem a função “única” de provedor do lar é inaceitável em tempos onde partilhar tarefas é justo e fundamental.

Com o segundo bebê a caminho (vai Joaquim!) Papai punk foi uma leitura prazerosa e referencial. É indicada para pais de primeira e segunda hora.

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