em 03/07/17
Chimamanda Ngozi Adiche é uma escritora nigeriana e sócia aqui do Poderoso já que vários de seus livros já ganharam resenhas por aqui. O mais célebre deles inclusive, Americanah (romance de 2013), já ganhou duas avaliações (aqui e aqui) e em breve ganhará as telas de cinema.
Sua escrita geralmente aborda temas ligados ao feminismo e a qualidade do material produzido fez dela uma das maiores referências neste quesito. Sua primeira incursão direta no tema foi numa conferência dada a organização TED (Technology, Entertainment, Design) chamada We should all be feminists, onde analisa de forma irônica como é ser feminista em pleno século 21. A sua fala no evento repercutiu tão bem que a mesma foi adaptada em formato livro (também já resenhado por aqui).
Passados três anos, Chimamanda retorna com o pungente Para educar crianças feministas. O livro, curto e de fácil leitura aliás, é um manifesto, em forma de carta, onde a autora aborda, através de quinze orientações, maneiras de se educar uma criança num mundo dominado pelo machismo.
De maneira pontual, a autora foge da superficialidade ao abordar um série de questões ligadas a criação dos filhos, optando por um olhar multifacetado. Como bem aponta Chimamanda, um dos maiores perigos que a sociedade, de ontem e de hoje, é o fato de pregar e que cabe a mulher cuidar da casa e dos filhos e ao homem prover o lar. Para ela cabe ao homem exercer as mesmas funções que a mulher. E aqueles que fogem a esta malfadada sina não devem ser vistos como um “aventureiro de terras desconhecidas” e sim como os que sabem de suas reais funções.
Para além do também malfadado “mulher deve procurar marido”, a autora analisa alguns valores ultrapassados, que muitas vezes passam desapercebidos, e os desconstroem. Afinal você já parou para pensar na disposição dos brinquedos numa loja? Já percebeu que o estabelecimento por si só segrega, relegando as meninas ao brincar de boneca e de casinha, estabelecendo aos meninos a uma infinidade de divertimentos? E as lojas de roupa com o seu imperativo rosa para as garotas e todas as outras cores (exceto rosa) para os meninos?
Essencialmente, Para educar crianças feministas funciona como autêntico guia para pais de longa data e da nova geração já que, parafraseando o livro anterior da autora, todos deveríamos ser feministas. Afinal, lutar pela igualdade dos sexos é uma causa que não só diz respeito as mulheres. Os homens que ainda não compreenderam a mesma, devem abandonar a sua zona de conforto e compreender que para fazermos deste mundo um lugar melhor é preciso abandonar velhos paradigmas.
Chega de dizer as nossas crianças, em pleno século 21, coisas do tipo “isso é coisa de menino” ou “uma menina não faz isso”. Afinal, quem sabe se educarmos bem esta nova geração nos consigamos reverter o resultado desta balança mal equilibrada? A luta continua!
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O livro foi enviado pela editora.
Resenhas
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