Resenha – Porcelain
por Bruno Lisboa
em 07/11/18

Nota:

Para os aficionados ou movidos pela música Moby é uma referência. Para além da criação de álbuns clássicos como Play ou 18, trabalhos que levaram a música eletrônica a novos patamares, o músico é também um DJ renomado e ativista pela causa dos animais. Mas a sua vida nem sempre fora uma “mar de rosas” como é retratado em Porcelain. 

Lançada no mercado brasileiro em 2016 via Intrínseca, na obra o autor rememora sua vida (entre os anos de 1976 e 1999) e o faz muito bem, sem o apoio de nenhum ghost writter, talvez herança direta de seu tio distante Herman Melville, autor da celebrada obra literária Moby Dick, de onde Richard Melville Hall (seu nome verdadeiro) retirou sua alcunha artística.

Em cada um dos capítulos o autor traz à tona alguma situação vivida e Moby descreve com tamanho detalhamento e destreza que transpassa através de sua escrita um elevado de grau de intimidade, fazendo com que o leitor tenha a sensação de ser um amigo próximo dele.

Partindo de sua infância pobre na cidade de Darien, Connecticut, Moby retrata de maneira fidedigna os Estados Unidos que na época viviam das agruras da era Richard Nixon, período de grande recessão no país. Aos trancos e barrancos promovidos pela vida, o músico junto a sua mãe (já que seu pai faleceu quando ele tinha dois anos) viveram com muita dificuldade, mas ambos tinham como alento a música que na época vivia um dos momentos de maior diversidade graças a profusão de gêneros como a disco, o rap, o punk e pop que, anos mais tarde, serviriam de força motriz para que ele criasse sua própria sonoridade.

Quando o assunto é a música os capítulos destinados ao início da era das raves e festa de música eletrônica também se destacam, pois Moby não só acompanhou in loco toda a cena como também contribuiu para o seu fortalecimento e popularidade nos anos 90, junto a artistas como o Prodigy (com o qual ele excursionou), os Chemical Brothers e o Orbital.

Outro ponto de grande destaque na obra é a religião. Moby é cristão, desde criança, e isto fez com que muitos conflitos internos dominassem sua mente. De início ele firmou o compromisso relacionado à doutrina religiosa que preza, entre outras coisas, pela abstenção de bebidas alcoólicas e o sexo promiscuo, ofertas que para quem está no universo da música são tentadoras e surgem a torto e a direito. E ele resistiu, permanecendo “careta” por décadas, mas as as tentações e provações que a vida oferece fizeram com que durante os anos 90 o músico mudasse drasticamente para o lado oposto. Com enorme carga de ressentimento é verdade.

Porcelain (Porcelana) não é só título de uma de suas músicas mais celebradas e da obra, mas também é uma alusão a fragilidade e a beleza da vida humana. E tal como em suas músicas Moby transmite na sua escrita suor, emoção e energia. Não haveria de ser diferente disto.

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