Resenha – Presos no paraíso
por Ragner
em 03/10/18

Nota:

 

Carlos Marcelo é um Paraibano que vive em Brasilia e trabalha para um jornal de Belo Horizonte. Fato que deixo registrado exatamente por eu achar deveras interessante. Jornalista, escritor e biógrafo, escreveu a biografia Renato Russo – o Filho da Revolução, de 2009 e ano passado lançou Presos no paraíso, que tenho o prazer de resenhar.

Posso dizer que a literatura policial está entre meus estilos literários favoritos, talvez o seja. Esse tipo de narrativa, ligado ao fato do enredo ter como pano de fundo um dos lugares paradisíacos que mais desejo conhecer no mundo, me deixa muito curioso. Presos no paraíso me interessou fácil. Assumo que demorei para lê-lo, não por falta de vontade, mas sim por questões diárias e cotidiano atribulado. Mas o tempo chegou e gostei de acompanhar a história de Tobias, um historiador desempregado, que é contratado pela empresa onde a irmã trabalha, para escrever sobre roteiros turísticos em Fernando de Noronha.

No começo do livro já temos a apresentação de personagens importantes na ilha, com a exposição de suas personalidades e como todos acabam se envolvendo com Tobias. Logo em seguida o livro volta no tempo, conta um pouco sobre o protagonista e como é sua vida no continente, apresentando os demais personagens. Com essas duas partes introduzidas (sem a definição de antes e agora), voltamos ao presente e ao crime que precisa ser investigado.

Tobias é chamado pelo delegado Nelsão, para fotografar a cena do crime, já que está sem auxiliares no momento e é o único que tem uma câmera decente. Chegando no lugar, ele vê os corpos do coronel Dias Nunes – com quem teve uma discussão dentro de um avião impedido de decolar – e do médico Jaime – o plantonista que o atendeu para conseguir uma receita de remédios para tontura e vertigem. Após tal fato, voltamos a rotina de Tobias na ilha: escrever o roteiro, passar os dias na pousada onde está hospedado, ajudar a dona – Lena – em uma reforma de um pequeno quarto e aprender mais sobre a história da ilha com o solitário Filósofo – Emídio. Tobias está preso na ilha, até poder voltar ao continente, já que o mal tempo impede as entradas e saídas dos voos. E aqui entra o fato de todos isolados durante uma investigação, lembra em parte o conhecido Assassinato no Expresso Oriente.

Com a ilha fechada, sua pesquisa para o roteiro, o andamento de investigação de um crime, a construção detalhada de cada personagem, a descoberta de uma história que vai além do paraíso turístico de Noronha (a ilha também já serviu de prisão durante a Ditadura), Carlos Macedo explora muito bem uma atmosfera de polícia e ladrão, que se mescla com ritmos ora rápidos, ora mais tranquilos durante a exerção de linhas temporais e fatos que se desenvolvem na ilha ou no continente.

Presos no paraíso é grata surpresa da literatura policial, para nossa literatura nacional.

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O livro foi enviado pelo autor

Carlos Marcelo,jornalista e escritor

Foto: Ricardo Labastier/Divulg

 

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