Resenha – Queda de Gigantes
por Thiago
em 22/01/14

Nota:

 

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Queda de gigantes ficou por muito tempo como um dos livros que me atormentaram na minha cabeceira dos livros ainda não lidos. O escrito na capa: “Primeiro livro da trilogia O Século” e as suas 908 páginas me intimidaram bastante. Resolvi aproveitar as férias e o Desafio do Tigre para encarar este paquiderme de papel e aprendi que não devemos julgar um livro pelo seu tamanho. O li mais rápido do que imaginava.

Nele encontrei uma das coisas que mais gosto, conhecer um autor que me cative de primeira, seja nos romances ou em artigos acadêmicos. Com Ken Follett foi assim, fácil de gostar, uma escrita simplesmente cativante, além de uma aula sobre a arte de escrever, como montar personagens e  mostrar calmamente, no decorrer do texto, seus detalhes; como também amarrar uma história, ainda mais em um livro tão grande como este.

Vamos então ao assunto do livro, a primeira guerra mundial. Sim, estamos falando de um romance histórico, caso não conheça este gênero vale muito a pena, é um dos meus estilos preferidos. Se você não sabe nada sobre a primeira grande guerra tudo bem não se assuste, isso não vai atrapalhar sua leitura, mas caso você saiba a leitura pode ser mais proveitosa.

Ken Follett não nos dá um personagem principal para seguir e torcer e sim vários, o livro é trabalhado através de núcleos que se mesclam, tendo a guerra não apenas como pano de fundo mas mais como um centro gravitacional onde os personagens orbitam. Entre esses núcleos temos famílias das nações envolvidas no conflito – americana, russa, alemã, inglesa e galesa – sendo elas de diferentes contextos sociais. Assim, personagens fictícios se misturam com personagens e acontecimentos reais, como a revolução Russa, Lênin, Trotsky,

Uma coisa que me impressionou muito neste livro, enquanto técnica de escrita, foi como o autor conseguiu cruzar as histórias dos núcleos propostos. Além do mais os personagens que constituem estes núcleos são incríveis e a plausibilidade da existência dos mesmos é enorme. Afinal, a história é feita por pessoas, o povo não é uma massa uniforme, como gado enclausurado, resignado e sem livre arbítrio. Como diz Edgar Morin (pensador contemporâneo francês) o ser humano é um ser complexo, não é apenas Homo Sapiens, mas também Homo Ludens, Homo Faber e diversas outras nomenclaturas que tentam nos explicar.

Para melhor entender pensem em um soldado, dentro de um batalhão ele é apenas mais um, mas há uma história atrás deste homem armado, talvez esposa, filhos, sei lá, talvez fosse um artista, um gênio da matemática, um fanfarrão, um ladrão. Ele pode ser qualquer coisa, mas nunca alguém sem nome e sem história. Aqui Ken Follett nos lembra o tempo todo disso: os grandes momentos da humanidade, como uma guerra de dimensão global, são feitos por pessoas e não simplesmente por  nações ou representações políticas.

Esta leitura nos faz trabalhar o exercício de reconhecer o outro enquanto outro, enquanto indivíduo com nome, história e emoções. Aristóteles nos dizia que o homem é um ser social e isto não quer dizer simplesmente que temos que viver em grupos para sobreviver, mas que necessitamos da sociedade para sermos, necessitamos do olhar do outro. Um olhar que seja capaz de nos desnudar e ver além, perceber que por trás do uniforme do soldado existe alguém que tem nome, opiniões, que pode gostar mais de cães do que de gatos, pode ser ou não religioso, pode preferir vinho a cerveja, que tem traumas, cicatrizes, medos e experiências que o torna único no meio de tantos outros soldados de tantas nacionalidades que lutavam, mas entraram pra história como estatística, números e mais nada.

Ler este livro foi pra mim como colocar uma lupa na história da primeira guerra mundial, ver as pessoas e os contextos sociais, os conflitos que elas viviam, poder perceber tudo de um modo mais íntimo. Por exemplo, adorei conhecer a vida do russo Grigori, meu personagem preferido na saga.

Agora estou ansioso pra ler o segundo volume desta saga da humanidade.

Boa leitura a todos!

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2 Comentários em “Resenha – Queda de Gigantes”


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Paty em 22.01.2014 às 07:21 Responder

Muito boa a resenha. Esse foi o primeiro livro de Follett que li também e gamei. E também adoro romances históricos e livros de guerra. Então, para mim, esse livro saiu como uma obra prima. Raramente vi alguém intercalar personagens tão diferentes de maneira tão clara e bem organizada.

O cara é bom demais!!!
Gostei mais desse do que do 2o e estou aguardando ansiosamente a publicação do 3o.

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Thiago em 22.01.2014 às 15:09 Responder

Que bom que gostou Patrícia, mas que pena que o livro 2 não é tão bom, mas mesmo assim quero ler. Além disso quero descobrir mais livros dele, como o Pilares da Terra e o Braco da Agulha.


 

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