Resenha – Querido Menino
por Bruno Lisboa
em 28/08/19

Nota:

Falar sobre o universo das drogas nunca foi (ou será) tarefa das mais fáceis. Tanto na perspectiva do usuário, quanto na ótica daquele que luta para que um ente querido não tenha a sua vida consumida por ela. Mas David Sheff, jornalista norte-americano, assim o fez e transformou a sua trajetória pessoal num comovente livro sobre os males da dependência química.

Em Querido Menino Sheff retrata, de forma dilacerante, as agruras de quem quase perdeu um filho para o universo das drogas. Nic, seu primogênito, era um jovem inteligente e promissor, mas a dependência em metanfetamina, droga que é capaz de deteriorar (essencialmente) funções cognitivas num curto espaço de tempo, quase o destruíram por mais de uma vez.

Mais do que um livro de memórias habitual, centrado em situações vividas, o autor coloca em seu trabalho parte da sua pesquisa sobre o consumo das drogas e a sua complexidade para compreendê-lo, devido a multiplicidade de opiniões de especialistas.

Outro ponto relevante da obra são os trechos destinados ao processo de reabilitação, pois há atualmente uma série de ações voltadas para a cura da doença, mas que nem sempre a melhor das intenções consegue atingir resultados satisfatórios, seja numa clínica (onde o paciente fica geralmente confinado) ou no diálogo/apoio familiar.

Destinados não só para aqueles que procuram entender ou investigar sobre o universo dos dependentes químicos, Querido Menino é uma ode bem sucedida às dificuldades ligadas a criação dos filhos e a responsabilidade inerente, ante aos inúmeros desafios que ela promove.

Felizmente ambos sobreviveram e a experiência traumática acabou por resultar num outro livro (Cristal na veia) onde Nic Sheff narra a história sob a própria perspectiva.

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O livro foi enviado pela editora.

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