Resenha – Ripped: How the Wired Generation Revolutionized Music
por Bruno Lisboa
em 19/03/18

Nota:

 

Que a internet e seu advento desde a sua popularidade veio para mudar o mundo em que vivemos não é novidade para ninguém. Mas talvez o setor, pensando no universo das artes, que mais tenha sido modificado é o da música. Ainda se pensarmos brevemente que num curto espaço de tempo (20 anos), o que visualizamos hoje é uma total ruptura do formato convencional que antes era físico, pago e gerido por gravadoras para algo livre, gratuito calcado no ideal do faça você mesmo. E é isto que o livro Ripped: How the Wired Generation Revolutionized Music problematiza.

Escrito por Greg Knot (autor da ótima bio da banda Wilco Learning how to die) a obra lançada em 2009 acompanha, no calor do momento, a mudança gradual de como o consumidor de música e alguns artistas (apelidos pelo autor como “esquisitos”) revolucionaram a maneira de como a música deveria chegar ao seu público, resultando no que vemos hoje.

Das várias histórias trazidas à tona Knot começa o livro falando sobre a falência das gravadoras, cujo formato pay to play (pague para tocar) e a determinação de quem deveria ser o centro das atenções começa, no final dos anos 90, a ruir. É também desta época, o início de plataformas como o Napster que distribuíam arquivos musicais em MP3 de forma gratuita entre usuários, fazendo com que a vendagem de CDs caísse de maneira vertiginosa. E a industria ao invés de enxergar de maneira positiva essa nova leva de clientes em potencial optou, erroneamente, por processar downloaders de maneira absurda e sem critério, tratando o ouvinte como um criminoso. Quem não se lembra da homérica briga do Metallica sobre isso? A cena começaria a mudar de figura somente quando Steve Jobs lançou o Ipod.

Para além do universo tecnológico, Ripped também tem capítulos destinados a artistas visionários que viram na mudança uma oportunidade de gerir suas próprias carreiras e de levar a música ao próximo estágio. Casos como o do finado multimídia Prince que começou a comercializar seus próprios álbuns e turnês. O Radiohead e o Nine Inch Nails também são lembrados como os pioneiros no, hoje consolidado, formato “pague o que quiser” destinado a cada lançamento.

A trajetória de artistas independentes como as bandas Death Cab For Cutie, Bright Eyes (do grande Conor Orbest) e Arcade Fire que viram suas carreiras decolarem com o apoio encontrado por fãs na internet surge de maneira radiante mostrando que é possível reinventar velhas fórmulas.

Há espaço inclusive para discussões ligadas a cultura do sample que na época era tido também como uma forma de piratear músicas alheias, mas ganhou status de arte a partir do momento que artistas como Girl Talk lançaram disco inteiros baseados em colagens sonoras.

Neste grande cenário de transições, o jornalismo também sofrera drásticas mudanças devido ao recrudescimento da seara independente com surgimento de inúmeros blogs mundo a fora. O sucesso de sites como o Pitchfork Media é colocado como o maior exemplo desta era onde todo mundo pode ser um crítico, já que a internet possibilitou que todos tivéssemos nossa voz  repercutida.

De maneira complementar a Como a música ficou grátis (livro já resenhado aqui) que mostra os bastidores desta revolução, Ripped imprime um olhar mais direcionado ao mainstream com histórias conhecidas do grande público, mas que em que nenhum passa pela superficialidade, graças a análise apurada de cada tema.

A existência e a popularidade de plataformas como o Spotify, Deezer, Bandcamp e afins mostra o universo da música segue em constante expansão. O que nos faz pensar: qual será o próximo passo? Só o tempo nos dirá.

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