Resenha – Rita Lee: uma autobiografia
por Bruno Lisboa
em 14/02/17

Nota:

 

Atualmente o mercado editorial brasileiro vive um autêntico frenesi quando o assunto é biografia. Basta dar uma olhada nas livrarias e ver o infindável número de obras que são lançadas mensalmente. É interessante também perceber que este boom não só se dá com biografados de fora como também tem se manifestado por aqui, principalmente quando o assunto é a música.

Como entusiasta desta seara, como vocês já devem ter observado por aqui (a categoria do poderoso é enorme e contribui muito com ela), eu só tenho a agradecer a atenção dispensada ao gênero. E nesta imensidão de lançamentos sem sombra de dúvida uma das obras mais aguardadas do ano passado foi a autobiografia de Rita Lee.

Rita Lee é uma artista que dispensa apresentações detalhadas demais, pois afinal de contas quem nunca ouviu falar da cantora deve, provavelmente, ter passado uma temporada fora da órbita terráquea por um bom tempo. Afinal, ela é compositora de mão cheia com inúmeros hits e foi/é trilha sonora de gerações de ontem e de hoje.

Escrito pela mesma, sem apoio de nenhum ghost-writer (como ela mesma fez questão de enfatizar no livro), Rita Lee: uma autobiografia é um delicioso registro de uma pessoa que soube como poucas viver a vida, seja de forma desregrada ou não.

Narrada em primeira pessoa e de modo cronológico, cada uma das memórias é estruturada em capítulos curtos e precisos. Dotada de uma linguagem pessoal, simples e  informal isto faz com que a obra ganhe em grau de intimidade já que se tem a impressão de que Rita nos tem como confidente.

Lee inicia a sua trajetória a partir da infância ao lado de seus familiares. Ilustrada de maneira mágica, Rita tivera uma infância incrível e “permissiva” (até certo ponto para época) o que lhe permitiu ser uma pessoa de natureza livre, atributo esse que levaria para toda vida.

Sua atribulada carreira como musicista, compositora, apresentadora e atriz é passada à limpo, sem firulas, falsa modéstia ou temeridade. Rita fala de erros e acertos que cometeu falando abertamente sobre sua carreira, o uso de drogas, feminismo, a quebra de tabus; tece elogios rasgados as suas paixões  (filhos, animais de estimação…), não poupa suas desavenças (principalmente com a imprensa e os ex-companheiros d’os mutantes, banda icônica na qual foi expulsa sumariamente) e relata seu pioneirismo em diversas searas.

Por mais que a memória lhe falhe em alguns momentos, fruto da idade avançada e da preguiça pela pesquisa por parte da autora,  Rita Lee: uma autobiografia é um importantíssimo registro que retrata, sem firulas, a vida de uma das pessoas mais importantes do cenário cultural brasileiro. Ela soube, a seu modo, ditar regras, quebrar tabus, mas sem se render a regras mercadológicas, a opiniões de outrem, assumindo o mea culpa quando necessário. O resultado desta aventura de quase sete décadas (Rita tem 69 anos) pavimentaram o terreno para se tornar a maior rockstar brasileira.

A vida de Rita Lee é um exemplo de autenticidade, caraterística rara em tempos nos quais a máscara da vaidade e a cara de pau predominam em todos os lados sociedade.

*****

O livro foi enviado pela editora.

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Rita Lee: uma autobiografia”


 

Comentar