Resenha – Scar Tissue
por Bruno Lisboa
em 18/10/18

Nota:

Scar Tissue

 

Para aficionados por música Anthony Kieds dispensa apresentações. Afinal ele é líder de uma das bandas mais bem sucedidas da história do rock, o Red Hot Chilli Peppers, que tem um caminhão de hits em toda a sua trajetória de quase 40 anos. Mas o que talvez poucos saibam é o fato de que ele foi usuário drogas pesadas por décadas e o fato de ele estar vivo é um verdadeiro milagre. Tudo isso está retratado na sua autobiografia Scar Tissue. Lançado oficialmente em 2004 (e 2005 por aqui via Ediouro), a obra ganhou belíssima reedição brasileira feita pela Belas Letras este ano.

Escrita em parceria com o jornalista Larry Sloman, a obra faz um longo apanhado da vida conturbada que Kieds levou desde a infância, fruto de um lar destruído devido aos seus pais que brigavam constantemente, tendo uma mãe super protetora de um lado e um pai traficante de drogas/ator de outro. Vivendo de forma livre precocemente, Anthony conheceu os prazeres e desaprazeres da vida logo cedo.

Fugindo do formato “chapa branca”, o vocalista dos Peppers não teme represálias e fala sobre tudo. Seu uso recorrente das mais variadas drogas (heroína. cocaína, bola, maconha…) ocupam grande parte do livro e são abordados sem receios, mostrando as agruras (e bizarrices) daqueles que optam por este caminho que, para muitos, é sem volta. Tal como acontecera com o seu ex-parceiro de banda Hillel Slovak, primeiro guitarrista dos Peppers, que faleceu devido a uma overdose de heroína. A ele Kieds dedicou a canção “Under the bridge”, hino mor do RHCP.

Suas inúmeras amantes/namoradas também rendem bom espaço na obra. Celebridades como a diretora Sofia Coppola, a atriz Demi Moore, as cantoras Mel C (Spice Girls), Nina Hagen e Sinead O’Connor, entre tantas outras, foram algumas das centenas (!) de  mulheres com quem Kieds se relacionou, herdando o caráter galanteador de seu pai.

Mas nem de drogas Scar Tissue vive. A parte musical rende ótimas histórias de bastidores como as do período “Freaky Style”, o primeiro álbum da banda a ganhar o status de clássico, e que teve a produção do gênio amalucado George Clinton (Funkadelic). A era de ouro, os anos 90, também é bem ilustrada, trazendo à tona vivas recordações dos períodos de gravação de discos como Blood Sugar Sexy MagicCalifornication, discos que foram produzidos por Rick Rubin, eternizaram o som e a carreira da banda, dominando até hoje grande parte do setlist.

A relação conturbada com integrantes e ex-integrantes do grupo também ganhou espaço, demonstrando de forma comovente os altos e baixos da sua relação com amigos de banda, como o baixista Flea (que lançará sua autobiografia esse ano) e John Frusciante que entrou e saiu do RHCP  por duas vezes, devido a problema com as drogas e a fama.

Mais do que uma imersão na vida artística Anthony, Scar Tissue é um belo exemplo de superação, que só alguém que esteve no fundo do poço (e voltou por diversas vezes, para sair de novo) pode ilustrar tão bem a periculosidade do vício com drogas.

Leia este livro tendo a discografia dos Peppers como pano de fundo.

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