Resenha – Sempre em movimento: uma vida
por Bruno Lisboa
em 29/09/15

Nota:

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O neurologista e escritor inglês Oliver Sacks foi um dos maiores de sua seara. Com legado imensurável na área da medicina e da literatura, Sacks soube como poucos transmitir o seu vasto conhecimento ao longo de dezenas de livros (todos publicados pela Companhia das Letras) que externavam todo o seu universo, construído através de inúmeros estudos de caso que fascinam tanto leigos como também especialistas, graças a sua linguagem simples e envolvente. De certo modo, Sempre em movimento: uma vida, segue esta mesma linha.

Lançada em abril deste, meses antes ao seu falecimento, a autobiografia é construída através do resgate de sua correspondência destinada a amigos e familiares, relatando em detalhes a vida de um homem que, como poucos, soube aproveitar ao máximo tudo o que a vida pode oferecer.

Britânico de nascimento, Sacks viveu uma vida errante pelo mundo desde a adolescência. Sem reservas, o autor revela a sua essência rebelde falando abertamente sobre sua sexualidade (Oliver era homossexual, opção esta velada por muitos anos), seus casos amorosos e o uso de drogas. Em paralelo suas inúmeras paixões (pelo motociclismo, o halterofilismo e por viagens) dominam o primeiro terço do livro e rendem as melhores passagens. Algumas rendem boas risadas (a roadtrip pelo EUA com dois caminhoneiros é hilária)  trazendo o inédito lado cômico de um homem que se defina como tímido por natureza.

Para além de sua vida  pessoal, o processo criativo de best-sellers como Tempo de despertar (que ganhou adaptação para o cinema com Robert De Niro e Robin Williams interpretando o próprio Sacks), Com uma perna só,  A ilha dos daltônicos O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, entre outros,  são relevados ao longo do livro, mostrando nos bastidores o quão tortuoso ou prazeroso pode ser o ato de escrever e de se dedicar a profissão.

A influência de parceiros de profissão como A.R. Luria, Francis Crick e Sigmund Freud mais os poetas W.H. Auden e Thom Gunn são externadas relevando de onde nasceu o seu discurso analítico, científico, mas com força dramática e sentimental de um romance.

Escrito num momento crucial da vida do autor (Sacks lutava contra um câncer no fígado ) o mesmo não se deixou abater e manteve o olhar radiante e iluminado quanto a vida permeia. A menção a doença surge apenas na reta final do livro, mas com olhares ainda esperançosos.

A falta de cronologia de certa forma incomoda em determinados momentos, pois Sacks vai e volta em vários assuntos aparentemente encerrados, mas este fator não interfere por demais este livro que deve agradar tanto aos já iniciados ao trabalho do autor como também os que, assim como eu, agora tem como objetivo imergir ainda mais no mundo fascinante de um dos maiores pensadores do último século.

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O livro foi enviado pela editora.

 

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