Resenha – Serena
por Patricia
em 28/09/15

Nota:

Unknown

 

Momentos ruins da História são regularmente fonte de grandes histórias. Guerras costumam sair na frente, mas um outro período que já rendeu boas obras: A Grande Depressão que começou em 1929 com a quebra da Bolsa de Nova York. Serena entra na lista de livros baseados nesse ponto da história.

Serena é casada com Pemberton, dono de uma madeireira na Carolina do Norte durante a Grande Depressão. As taxas de desemprego chegaram a 25% nos Estados Unidos e trabalhadores migravam de um lugar a outro procurando oportunidades que simplesmente não existiam mais. Na Madeireira de Pemberton, muito morriam graças às péssimas condições de trabalho, mas aceitavam o que podiam encontrar.

Serena e Pemberton rapidamente começam a tomar providências para dominarem todos os terrenos disponíveis e, “derrubarem toda a madeira do mundo”. O leitor aprende logo que Serena, mais ainda que seu marido, não mantém nenhum moral frente ao que deseja. E ela tem muitos desejos. O principal deles é vir ao Brasil para comprar terrenos e aproveitar “a falta de leis” para criar a maior madeireira do mundo. Nada e ninguém vai ficar em seu caminho.

É um discurso muito interessante, com uma personagem forte e sem nenhum código moral e etc. O autor nos entrega uma anti-heroína como centro da história. A premissa é boa e várias passagens no livro reforçam essa característica de Serena; alguns dizem que “nunca viram alguém como ela antes”; ela usa calças ao invés de vestidos e um corte de cabelo austero para não confundir ninguém com “feminices”; ela doma águias; acompanha os homens em seu trabalho diário, enfim, ela é, em todos os aspectos, diferente de qualquer outra mulher na época.

O problema do livro está no fato de que o autor reforça tanto isso que chega a ser cansativo. Em sua tentativa de nos mostrar essa característica específica, ele acaba tirando qualquer outro nível de personalidade da personagem. Aos poucos, Serena deixa de ser interessante para ser apenas inescrupulosa e Pemberton sozinho não consegue protagonizar cenas de peso porque esse personagem nunca é realmente bem desenvolvido. Ele é o cara rico que, cada vez mais, depende das opiniões e vontades da esposa.

Ao leitor resta um livro com mais de 300 páginas em que muita coisa acontece mas como se nada acontecesse. Muitas reviravoltas, se é que podemos chamar assim, são versões diferentes da mesma cena que servem, por sua vez, para mostrar que Serena e Pemberton são o que são. Depois da segunda ou terceira, essas cenas tornam-se previsíveis e longas demais.

Esse talvez seja o risco de criar um enredo em torno de dois anti-heróis. O leitor, normalmente, precisa se identificar com os personagens de alguma forma – mesmo que seja para odiá-los. Mas em Serena, isso é feito de maneira tão simplista que nem mesmo senti ódio de Serena. Apenas queria que ela sumisse da história. Essa indiferença é um resultado direto por nunca descobrirmos nada de substancial sobre a personagem. E não vale usar de escapismos apelativos para o feminismo como: “ela era igual aos homens” ou “ela controlava o marido e a direção da empresa” e afins. Não foi o suficiente para me fazer acreditar em Serena.

***

O livro foi enviado pela editora. 

SELO_BLOGSPARCEIROS_2015 (2)

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Serena”


 

Comentar